PF vincula Michelle Bolsonaro com contas inautênticas no Instagram

Assessor do "gabinete do ódio" também está associado ao acesso de 1.045 contas inautênticas nas redes sociais

atualizado 08/06/2021 12:12

Presidente bolsonaro e Michelle bolsonaro durante Posse do novo ministro do turismo, Gilson Machado durante evento no planalto 1Rafaela Felicciano/Metrópoles

A Polícia Federal (PF) vinculou a primeira-dama Michelle Bolsonaro e um assessor da Presidência da República pertencente ao suposto “gabinete do ódio” a contas inautênticas usadas para disseminar mensagens de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

As revelações fazem parte de uma investigação da PF sobre a possibilidade de os filhos do presidente terem mobilizados redes sociais para “incitar parcela da população à subversão da ordem política” entre 2018 e 2020.

Na listagem da PF, segundo reportagem do portal Uol, Michelle Bolsonaro aparece como proprietária das contas Bolsonaronews no Instagram, enquanto Tércio Arnaud Tomaz, assessor da Presidência da República no chamado “gabinete do ódio”, é indicado como proprietário das contas Bolsonaronews no Facebook.

Assim, uma quebra de sigilos de endereços de internet mostra que, em 5 e 6 de novembro de 2018, o assessor Arnaud usou a rede de Michelle Bolsonaro para acessar as contas Bolsonaronews. Segundo a PF, o endereço vinculado à rede é da casa de Jair Bolsonaro, na Barra da Tijuca.

1.045 acesso de órgãos públicos

Até o momento, sabe-se que ao menos 1.045 acessos de contas inautênticas, identificadas e derrubadas pelo Facebook há quase um ano partiram de órgãos públicos, sendo 408 de dentro da Presidência da República e 15 do Comando da 1ª Brigada da Artilharia Antiaérea.

As contas acessadas eram Bolsonaronews e Tércio Arnaud Tomaz, mas não foi informado se partiram do gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos).

Na Câmara dos Deputados, os acessos a essas contas inautênticas partiram do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) e de um assessor dele.

Já nos outros órgãos, ainda não há informações oficiais sobre a origem dos acessos.

Conteúdo das mensagens

A Polícia Federal não conseguiu ter acesso a todas as mensagens divulgadas, uma vez que parte delas estava apagada. Os textos identificados, no entanto, mostram críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Congresso Nacional. Além disso, ambas as contas divulgavam publicidade de apoio ao presidente.

A conta Bolsonaronews também escrevia mensagens criticando meios de comunicação e com ataques à oposição.

Apesar da indicação da PF de que as investigações sobre o uso de mídias sociais para incitar atos antidemocráticos, a Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu que as apurações fossem arquivadas.

A decisão, agora, ficará nas mãos do ministro do STF Alexandre de Moraes. Segundo apuração do UOL, o ministro deve manter o inquérito em andamento.

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