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A pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Felix Fischer suspendeu o sigilo do pedido de prisão do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB). A decisão do magistrado é deste sábado (1º/12), de acordo com informações da TV Globo.

Segundo a reportagem, o pedido expedido pelo ministro para prender o político também menciona a existência de bilhetes, além de uma conversa telefônica gravada. Pezão foi detido na última quinta-feira (29), durante a Operação Boca de Lobo, nova fase da Lava Jato. O político é acusado de integrar um núcleo de organização criminosa responsável por vários crimes contra a administração pública – como corrupção e lavagem de dinheiro.

Segundo o delator Carlos Miranda, Pezão teria recebido cerca de R$ 25 milhões em propina entre 2007 e 2014 – gestão do ex-governador Sérgio Cabral. No período, Pezão era secretário de Obras do governo estadual. Os valores atualizados chegam a R$ 39 milhões.

Além das justificativas responsáveis por levar Luiz Fernando Pezão para atrás das grades, o pedido de prisão cita 25 bilhetes em que o nome do governador do Rio e codinomes relacionados a ele aparecem ao lado de valores, que, somados, ultrapassam R$ 2,2 milhões, informou a TV Globo. Além disso, o documento também cita transcrição de uma conversa telefônica na qual Pezão foi gravado.

No diálogo, Pezão é comunicado por um político do estado fluminense que, durante uma inspeção do Ministério Público Estadual no presídio de Bangu 8 no dia 24 de julho deste ano, o ex-governador Sérgio Cabral não atendeu a uma ordem de ficar de frente para a parede. Cabral se negou e disse que era detento e não preso.

Os promotores, então, chamaram a polícia e Sérgio Cabral foi conduzido para uma outra cela. Esse político ligou para Pezão e contou o ocorrido. Pezão, então, perguntou em que poderia ajudar.

Para os investigadores, a conversa é apontada como mais um indício de ligações de Pezão com a organização criminosa atualmente.

Pezão foi o primeiro governador do estado a ser preso no exercício do mandato. Atualmente, o vice-governador do Rio, Francisco Dornelles, ocupa o posto interinamente.