Juíza pede relatório de tornozeleira para saber os passos de Flordelis

Decisão da Justiça, obtida com exclusividade pelo Metrópoles, também nega liberdade para outros acusados pela morte do pastor Anderson Gomes

atualizado 12/02/2021 6:09

FlordelisRafaela Felicciano/Metrópoles

Rio de Janeiro – A juíza da 3ª Vara Criminal de Niterói, Nearis Arce, decidiu exigir que a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) envie relatório, no prazo de até cinco dias, sobre o monitoramento da tornozeleira eletrônica que a deputada federal Flordelis dos Santos de Souza (PSD-RJ) usa há quatro meses. A parlamentar é proibida de sair à noite.

“Seja oficiada à Seap requisitando que em 5 dias remeta relatórios de monitoração da tornozeleira eletrônica utilizada pela ré Flordelis desde 08.10.2020 (…) esclarecendo se foi apresentada justificativa administrativa para eventuais notícias de violações, desligamentos e esgotamento de bateria, bem como informando a duração da respectiva bateria”, afirmou a juíza em um dos trechos da decisão, à qual o Metrópoles teve acesso com exclusividade.

A juíza decidiu, ainda, que três dos 10 presos acusados em um dos processos sobre o assassinato do pastor Anderson Gomes devem continuar na cadeia. Marido de Flordelis, denunciada como mandante do crime, o religioso foi executado com mais de 30 tiros em junho de 2019.

Nearis rejeitou os pedidos de liberdade de Adriano dos Santos Rodrigues e Andrea Santos Maia. A magistrada também negou o pedido de prisão domiciliar de Simone dos Santos Rodrigues. Em outra ação, dois filhos de Flordelis são acusados de ter executado Anderson.

Atentado à bomba

De acordo com denúncia do Ministério Público, Adriano, um dos filhos biológicos da deputada, foi o responsável por repassar para Flordelis uma carta que foi fraudada, alterando a versão do crime de Lucas Cézar dos Santos, um de seus irmãos. Adriano é acusado de ter buscado a correspondência com Andrea Santos Maia, esposa do ex-policial militar Marcos Siqueira, que estava preso com Lucas. A confecção do texto, segundo a investigação, foi ordenada por Flordelis, e Adriano tinha conhecimento do plano.

“Acresça-se também as notícias constantes dos autos acerca de suposta ameaça do réu Adriano à testemunha Regiane, que sofrera recentemente um atentado à bomba em sua residência, embora, felizmente, sem maiores consequências; evidenciando ainda mais que as pretendidas medidas cautelares não seriam suficientes para a manutenção da ordem pública”, esclareceu a juíza ao negar o pedido de liberdade.

Ao não autorizar o pedido de prisão domiciliar de Simone, filha biológica da deputada, que alegava precisar tratar grave doença e cuidar do filho de 5 anos, a juíza registra que Simone, contudo, estaria recusando o tratamento na prisão.

A Justiça aceitou pedido de Flordelis para atestar a autenticidade de publicações no Facebook que constam no processo, além de outra solicitação, para registrar que informações que constam em um pen-drive não foram alteradas por montagens.

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