Se reeleito, Bolsonaro diz que negociará "extinção" do orçamento secreto
Em entrevista ao <b>Metrópoles</b>, presidente disse que "não pode continuar perdendo poderes"

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse, nesta segunda-feira (24/10), que, se reeleito, vai articular uma mudança nas regras de distribuição de recursos das emendas de relator-geral (RP-9), que ficaram popularmente conhecidas como “orçamento secreto”. Em entrevista concedida à diretora-executiva do Metrópoles, Lilian Tahan, o candidato à reeleição disse que o dispositivo “tirou poder” do Executivo.
“É um desgaste para todo mundo. Quem está pagando a conta sou eu. Eu não tenho acesso, eu queria ser dono desse orçamento secreto”, afirmou. “Vamos negociar com o parlamento até que ponto nós podemos discutir quem vai liberar esses recursos. […] Eu não posso continuar perdendo poderes no tocante a isso. […] Esse tal orçamento RP-9, que alguns chamam de screto, tirou poder de mim. ”, acrescentou.
“Não posso continuar perdendo poder”, diz Bolsonaro sobre o Orçamento Secreto.
Presidente e candidato à reeleição afirmou que, se reeleito, negociará com a extinção do Orçamento Secreto com o Parlamento.
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— Metrópoles (@Metropoles) October 24, 2022
Na entrevista, o presidente disse que caso a negociação não seja possível, ele deve vetar o dispositivo ao sancionar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do próximo ano.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Vamos tentar negociar, reduzir esse valor, passar uma parte para mim. Se não for possível, eu vou para o veto. Creio que a derrubada do veto vai ser mais difícil pelo perfil do novo Parlamento”, declarou.
Segundo Bolsonaro, “os verdadeiros donos do orçamento secreto não sou eu (sic). É o parlamento brasileiro”. “Com o novo parlamento, ficou muito mais para o centro-direita, eu pretendo negociar o ano que vem, se eu for reeleito obviamente, a extinção deste dito orçamento secreto”, prometeu.
CGU admite limitação dos dados
Na semana passada, o senador Alessandro Vieira (PSDB-SE) pediu que o Supremo Tribunal Federal (STF) obrigue Bolsonaro a divulgar documentos, supostamente obtidos por ele, relacionados à lista de parlamentares beneficiados pelo “orçamento secreto”.
A ação foi protocolada após o presidente, durante um debate, fazer referência a uma suposta “lista preliminar” que indicaria 13 parlamentares do PT beneficiados pelas emendas de relator.
Em 16 de outubro, a Controladoria-Geral da União (CGU) admitiu que há uma limitação no acesso dos dados. EM uma postagem nas redes sociais, o ministro Wagner Rosário postou um vídeo informativo mostrando como é possível ver as emendas do orçamento secreto no Portal da Transparência do Governo Federal.
Entretanto, ao ser questionado por um usuário sobre a possibilidade de saber de quem são as emendas pagas, Rosário acabou admitindo que nem a CGU possui tais informações.



