Endividamento do brasileiro sobe pela nona vez seguida, diz pesquisa

Os números indicaram que as famílias de menor renda são as que mais estão sendo mais afetadas por contas ou dívidas em atraso

atualizado 03/10/2019 12:38

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O nível de endividamento do brasileiro atingiu em setembro o terceiro maior patamar da série histórica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Esta é a nona alta seguida do índice, que atingiu 65,1% das famílias brasileiras, contra os 64,8% registrados em agosto. Foi também o maior resultado desde julho de 2013, informou a CNC.

Os números da inadimplência na pesquisa da CNC indicaram que as famílias de menor renda são as que mais estão sendo mais afetadas por contas ou dívidas em atraso. O porcentual de inadimplência dessa categoria passou de 27,4% em agosto para 27,6% em setembro.

Já a faixa mais alta, com renda superior a 10 salários mínimos, registrou queda na inadimplência para 10,8%, ante 10,9% no mês anterior. No total, a fatia das famílias brasileiras com contas ou dívidas em atraso subiu para 24,5% em setembro, contra 24,3% em agosto.

O porcentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso aumentou na comparação mensal, de 9,5% para 9,6% em setembro, mas caiu na comparação com um ano na ordem de 9,9%. Os que mais aumentaram o endividamento foram as famílias que estavam menos endividadas, apontou a CNC, passando de 23,5% para 28%, na comparação com o mesmo período de 2018.

De acordo com o presidente da CNC, José Roberto Tadros, apesar dos números, as famílias se mostraram mais otimistas em relação à capacidade de pagamento. “A perspectiva de renda extra com os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ajuda a explicar esse resultado”, disse.

O cartão de crédito foi apontado como um dos principais motivos para as dívidas dos brasileiros, em comparação com o cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal e prestações de carro. O cartão de crédito é responsável por 79,5% das dívidas das famílias, seguido pelos carnês, com 15,5%, e financiamento de carro, com 9,7%.

Entre as famílias de baixa renda, o cartão de crédito chega a atingir 80% das dívidas, revelou a economista da CNC Marianne Hanson.

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