Em homenagem às vítimas da Covid, Lula culpa governo Bolsonaro por mortes
Lula sancionou nesta segunda-feira (11/5) a lei que cria o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. A data foi fixada em 12 de março
atualizado
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta segunda-feira (11/5) o Projeto de Lei nº 2.120/2022, que cria o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. A data foi fixada em 12 de março, em homenagem às pessoas que perderam a vida em decorrência da pandemia do coronavírus SARS-CoV-2.
A escolha do dia remete a 12 de março de 2020, quando foi registrada a primeira morte por Covid-19 no Brasil. A vítima, uma mulher de 57 anos, vivia em São Paulo. Desde então, o país enfrentou sucessivos recordes de óbitos, ultrapassando a marca de 700 mil mortes causadas pela doença.
No evento, Lula voltou a criticar a condução das ações contra a pandemia durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Só faz sentido a gente criar alguma coisa para lembrar o passado se a gente conseguir cravar o nome de quem foi responsável”, disse Lula durante a cerimônia.
O chefe do Planalto responsabilizou, além do ex-presidente, os quatro nomes que passaram pela chefia do Ministério da Saúde na gestão Bolsonaro: Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich, Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga. Lula defendeu dar “nome aos bois”.
“Quem lembra do ministro da Saúde dele? Quem se lembra do nome dos ministros? Quem se lembra do primeiro? Quem se lembra do segundo? O terceiro você lembra porque era um general totalmente desinformado e ignorante, e fazia questão de ser assim. Porque ele achava que iriam eleger ele com a ignorância dele. Então se a gente não der nome aos bois, esses cidadãos vão transitar pelas ruas como se fossem seres humanos que tivessem o mínimo de sentimento como humanista”, afirmou o petista.
“Isso aqui é mais forte do que muitas guerras que aconteceram no mundo. O que nós temos que fazer é fazer com que as pessoas saibam quem foram os responsáveis, que fortaleceram a ignorância do presidente no trato de uma epidemia como essa”, defendeu Lula.
Falas de Bolsonaro
Durante a cerimônia, o chefe do Executivo também citou declarações de Jair Bolsonaro durante a emergência sanitária. O ex-mandatário minimizou a gravidade do vírus e chegou a se referir à doença como uma “gripezinha”.
“Bolsonaro dizia: ‘A pandemia está chegando ao fim, e que um pequeno repique pode acontecer. […] A pressa da vacina não se justifica, porque você mexe com a vida das pessoas. Você vai inocular algo em você’, disse o presidente. Essa fala foi em entrevista publicada no sábado, 19 de dezembro de 2020, no canal de YouTube do seu filho, aquele fujão que está nos Estados Unidos tentando pregar o golpe contra o Brasil”, relembrou o petista, citando o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
A condução da crise sanitária pelo governo Bolsonaro motivou a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado para investigar possíveis omissões do Executivo federal. No relatório final, o colegiado atribuiu a Bolsonaro a prática de nove crimes.
Posteriormente, ao solicitar o arquivamento dos casos, a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou não haver elementos suficientes que comprovassem essas acusações.
O documento do qual o presidente tirou as declarações e que levou à cerimônia é intitulado “A gestão Bolsonaro e a pandemia de covid-19”. O material reúne falas do ex-presidente durante a pandemia, com base em matérias jornalísticas que repercutiram essas declarações.
O petista afirmou que o conteúdo teria sido publicado pelo Ministério da Saúde e incentivou a militância a acessá-lo. Veja:

“O Ministério da Saúde publicou aqui ‘A gestão Bolsonaro e a pandemia de covid-19’. É importante que cada militante tenha isso aqui na mão, porque aqui tem tudo que foi a desgraça que eles falaram durante dois anos de pandemia”, disse Lula.
Após o evento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a cartilha, na verdade, foi elaborada por ele próprio, e não pelo Ministério da Saúde.
“Esse é um documento que eu, enquanto pessoa, fiz, tanto é que não é um documento do Ministério da Saúde. É um documento de informações que nós repassamos e recolhemos a ele. O presidente recebe documentos, ele não pediu para o governo distribuir, ele não pediu para a estrutura do governo distribuir, nem para a estrutura do Ministério da Saúde distribuir”, pontuou.
A cerimônia de assinatura aconteceu no Palácio do Planalto, com a presença da primeira-dama, Janja Lula da Silva, e dos ministros da Saúde, Alexandre Padilha, da Casa Civil, Miriam Belchior, dads Relações Institucionais, José Guimarães, além do líder do PT na Câmara dos Deputados e autor do projeto de lei, deputado Pedro Uczai (PT-SC).








