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O pai de uma das jovens encontradas carbonizadas em Santa Maria na última quinta-feira (1º/9) revelou que pediu para a filha não sair de casa no dia em que ela desapareceu. A adolescente disse que iria devolver uma bicicleta para um amigo e nunca mais retornou. Para auxiliar nas investigações, ele entregou o celular da estudante à polícia.

Luis Ibiapino é pai de Letícia Ibiapino, de 14 anos, e relatou ao Metrópoles sobre o dia do desaparecimento da filha. “Ela chegou em casa depois da aula com uma bicicleta que não era dela. Perguntei de quem era e ela respondeu que pertencia a um amigo e que ele viria buscar depois. Mas, por volta de 20h30, ela tomou banho e disse que iria devolver a bicicleta e pegar um tênis na casa de uma amiga”, conta.

O pai chegou a pedir que ela não saísse. “Disse a ela que era tarde e que o menino é que deveria buscar a bicicleta. Mas ela argumentou que era perto e logo voltaria. Nem celular ela levou”, relata Luis.

Porém, após uma hora, Letícia ainda não havia voltado. O pai começou a ficar preocupado, mas achou que ela estava na casa de uma amiga. No dia seguinte, sem resposta do paradeiro da jovem, procurou a delegacia. “Fui lá por volta de 16h, mas eles disseram para esperar 24 horas de desaparecimento. Esperei até as 20h30, voltei lá para fazer o boletim de ocorrência”. Os familiares também usaram as redes sociais para tentar encontrar a adolescente, mas não tiveram resposta.

 

Somente na sexta-feira (2/9), Luis recebeu um telefonema da Polícia Civil para que fosse até a delegacia identificar possíveis objetos da filha. No local, ele constatou que um calçado e uma blusa encontrados na cena do crime eram as mesmas que Letícia usava quando desapareceu.

Agora, aguarda a liberação do corpo e os avanços da investigação do homicídio, conduzida pela 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria). Os agentes desconfiam do envolvimento das jovens com criminosos da região. Segundo Luis, a filha teve duas passagens pela Delegacia da Criança e Adolescente (DCA) por infração análoga a furto. Entretanto, afirmou que desconhece possíveis suspeitos e motivações para o crime.

Nicolly
Amanda Santanna, a mãe de Nicolly, a outra jovem de 15 anos encontrada carbonizada, também conversou com o Metrópoles e conta que a adolescente havia fugido de casa dias antes de desaparecer. “Ela saiu no dia 24, dizendo que ‘não queria ficar trancada’, pois eu a havia deixado de castigo para não sair tanto para a rua”, explica.

Apesar da saída, Amanda continuou seguindo a filha por meio de conhecidos e das redes sociais. “Ela foi para a casa de uma amiga e fiquei acompanhando as postagens dela. Mas comecei a ficar preocupada quando os pais da Letícia anunciaram o desaparecimento da filha por dois dias. Vi que a Nicolly não postava nada no mesmo período. Pouco tempo depois, vi a notícia dos corpos. Me deu um aperto no coração. Fui à delegacia e lá estava a família da Letícia. Reconheci uma sandália da minha filha que tinha sido encontrada no local”, conta a mãe.

Segundo Amanda, Nicolly e Letícia eram amigas havia pouco mais de um ano. As duas adolescentes foram detidas juntas por furto. “Ela disse que precisava de dinheiro e de um celular”, afirma a mãe sobre as explicações dadas pela jovem para cometer a infração.

Assim como o pai de Letícia, a mãe de Nicolly desconhece possíveis suspeitos de cometerem o homicídio ou as motivações do crime. Mas ela afirma que não descansará até que o caso seja resolvido. “Se eu não for atrás, não vou saber o que aconteceu com ela”. Amanda deve comparecer ao IML ainda nesta segunda-feira (5) para ajudar no reconhecimento da vítima.

Crime
Na quinta-feira (1º), um chacareiro que andava a cavalo nas proximidades da Chácara 03, no Núcleo Rural Alagados, em Santa Maria, viu dois cadáveres e acionou a polícia. O homem relatou aos policiais que passava pela região, quando foi atraído por uma grande concentração de urubus nas proximidades. Ele foi verificar o motivo da revoada, temendo que algum de seus animais houvesse morrido, mas se deparou com os dois corpos carbonizados.

Facebook/ Reprodução

Nicolly e Letícia eram amigas e tinham fotos juntas nas redes sociais

O homem explicou que os corpos estavam um sob o outro, em um buraco resultado de erosão e de aproximadamente 3 metros de diâmetro e 1,5 metro de profundidade. Ao lado deles, o chacareiro identificou uma pedra, com peso estimado em 2 quilos, suja de sangue, além de um caderno escolar feminino parcialmente queimado. O local é conhecido como ponto de desova e utilizado por usuários de droga.

Os investigadores solicitaram a perícia do Instituto de Criminalística e, posteriormente, o IML para remoção dos corpos.  A equipe de peritos recolheu, dentre outros objetos, bijuterias nos corpos das vítimas, o caderno, e a pedra com marcas de sangue, que acabaram sendo reconhecidos por parentes no fim de semana. Foram levados à DP para apreensão, ainda, um chinelo e um tênis, ambos parcialmente queimados e que estavam ao lado dos corpos.

Os objetos foram identificados pelas famílias de Nicolly Santanna, 15 anos, e de Letícia. Ambas eram amigas. A mãe de Nicolly chegou a buscar o Instituto Médico Legal (IML) para liberar o corpo da filha na sexta, mas foi instruída a retornar nesta segunda (5). A PCDF informou, por meio de nota, que procede a identificação de cadáveres por meio de metodologia científica utilizando exames de impressão digital, DNA e da antropologia, conforme a situação.

O reconhecimento do cadáver, quando feito por familiares, é consolidado pela identificação realizada na polícia.

 

 

 

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