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A Associação Comercial do Distrito Federal (ACDF) anunciou que enviará nesta semana, à Procuradoria-Geral da República (PGR), um pedido de intervenção federal na capital da República. Segundo a entidade, o documento representa um “grito de socorro” dos brasilienses diante da crise financeira vivida pelo Governo do DF e a falta de dinheiro para manter um policiamento adequado, fatos que têm provocado aumento dos indicadores de violência.

Segundo o presidente da ACDF, Cleber Pires, uma eventual intervenção pode ajudar a aquecer a economia local. “O comerciante está cansado de ser vítima de assaltos, roubos e furtos. É um total clima de insegurança. Quartéis fechados, delegacias fechadas e ninguém faz nada a respeito”, diz. “Se esse cenário mudar, os empresários podem voltar a ter segurança em abrir seus negócios ou expandir as empresas. Hoje, o que mais se vê por aí é ‘vende-se’ e ‘passa-se o ponto’.”

Um empresário que pediu para não ser identificado disse ao Metrópoles que tem oito empresas em Brasília e quatro delas foram assaltadas mais de uma vez apenas neste ano. “Registramos ocorrência, mas não há investigação por conta da paralisação da Polícia Civil. Enquanto isso, os bandidos continuam soltos”, desabafa.

A exemplo da ACDF, os delegados da Polícia Civil também decidiram assinar, conjuntamente com a Associação Comercial do DF, o pedido de intervenção federal na capital em face do abandono e caos na segurança pública.

A intervenção federal é uma medida drástica e precisa passar por três etapas antes de ser implementada. Inicialmente, o pedido precisa ser aceito pela PGR. Em seguida, o Supremo Tribunal Federal (STF) precisa se manifestar favoravelmente à medida. Por fim, o presidente da República publica um decreto. O pedido, de acordo com Pires, tem apoio de empresários e entidades do Distrito Federal.

Estatística
Os dados mais recentes divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do DF mostram o aumento da violência na capital. No acumulado dos oito primeiros meses do ano, o número de latrocínios aumentou de 29, em 2015, para 34 no mesmo período deste ano. Só em agosto, foram seis registros.

Casos de roubos em coletivos também aumentaram 23,9% de janeiro a agosto. O número de casos cresceu em junho, julho e agosto, para 216, 226 e 237, respectivamente. Roubos em comércio também saltaram 6,5% nos últimos oito meses. Roubo a veículos teve aumento de 14,7%, no mesmo período.

A quantidade de furtos a veículos subiu de 8.415 para 8.998, ou 6,9% a mais. Com relação ao roubo de pedestres, a elevação foi de 26,3%; e o roubo a residências, segundo a secretaria, aumentou 42,3%.

Outros tipos de delitos também tiveram aumento expressivo, como no caso do estupro, que subiu 8,7%, e tentativa de latrocínio, com 37%.

 

 

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