Aos 95 anos, a rainha Elizabeth é considerada pela maioria dos ingleses uma velhinha fofa e querida. A monarca, que ocupa o trono há 70 anos, nunca teve uma taxa de aprovação tão alta entre os seu súditos
Mas o relacionamento da rainha com os ingleses nem sempre foi assim. Elizabeth já enfrentou diversas crises institucionais que ameaçaram inclusive o seu trono
Confira os conflitos mais tensos entre a monarca e seus súditos
1.
Morte da princesa Diana
A rainha Elizabeth estava passando férias com os netos William e Harry no Castelo de Balmoral, na Escócia, quando recebeu a notícia da morte da princesa, em agosto de 1997. Os ingleses pararam o país para velar Diana e depositaram inúmeras flores nos palácios reais
Apesar da comoção nacional, a monarca não se manifestou publicamente sobre a morte da ex-nora. Os jornais ingleses acusaram Elizabeth de ser fria naquele momento de luto, pois Diana e a rainha sempre tiveram uma relação distante
As críticas foram tão grandes que Elizabeth precisou fazer um discurso ao vivo em televisão aberta. A monarca explicou que após a morte de Diana ela estava agindo como avó e não como monarca, o tempo dela estava dedicado a proteger os netos
Elizabeth também elogiou a dedicação da princesa às causas sociais e relembrou o bom humor de Diana até nos momentos mais difíceis. O público se emocionou com o discurso da monarca e perdoou o silêncio da rainha
2.
O desastre em Aberfan
Em 21 de outubro de 1966, a barragem de uma mina arrebentou na vila de Aberfan, no País de Gales. O caso sensibilizou a Inglaterra porque o principal alvo da lama foi uma escola infantil. A tragédia matou 116 crianças e 28 adultos
Apesar de a rainha ter soltado uma nota de pesar imediatamente após o ocorrido, ela recebeu muitas críticas por não ter ido pessoalmente consolar as famílias e a comunidade enlutada. A rainha enviou ao local o marido, o duque de Edimburgo, e o cunhado, o conde de Snowdon, mas os ingleses não ficaram satisfeitos
Depois de muita pressão, Elizabeth visitou a vila oito dias após a tragédia.
Os depoimentos dos moradores de Aberfan emocionaram a rainha e ela acabou chorando publicamente - uma das poucas vezes em seu reinado. Segundo assessoras da monarca, a demora em visitar o local foi um dos poucos arrependimento de sua vida
3.
Acusação de racismo
Quando o príncipe Harry anunciou, em novembro de 2017, o noivado com a atriz Meghan Markle, o mundo ficou empolgado com a possibilidade de acompanhar a primeira princesa birracial da monarquia britânica. O casal também se mostrava empolgado em trabalhar para a rainha
Em questão de meses, o clima de novidade mudou completamente. Logo após o casamento, em maio de 2018, começaram os primeiros boatos de que Meghan não estava se dando bem com a família. A insatisfação da ex-atriz se tornou pública em uma entrevista dada por ela após o nascimento do primeiro filho
A briga (pública e privada) entre a família se tornou insustentável e, em janeiro de 2020, Meghan e Harry anunciaram que estavam abdicando da posição na família real. O casal se mudou para os Estados Unidos e fechou contrato com diversas empresas multinacionais
Um ano após a mudança, eles deram uma entrevista acusando a família real de racismo e negligência com a saúde mental de Meghan. O palácio rapidamente se pronunciou e, em uma nota assinada pela rainha, disse que os "relatos dos envolvidos nos episódios variam"
Os ingleses se dividiram após a entrevista. Enquanto alguns apoiaram a rainha, muitos apontaram outros casos de racismo na família real. Os súditos lembraram, por exemplo, que a Coroa britânica financiou o tráfico de africanos por séculos. Os internautas também resgataram discursos racistas feitos pela monarca, na década de 1950, na África
A rainha ainda está lidando com as acusações públicas de Harry e Meghan. Muitos especialistas acreditam que a monarquia pode acabar, dependendo do que o casal expor publicamente. Nos próximos meses, eles devem lançar livros e documentários falando sobre o assunto