Prestes a completar 70 anos no trono, a rainha Elizabeth não dá sinais de que vai desacelerar os compromissos oficiais. Nem a recente hospitalização da monarca parece assustá-la
Especialistas em monarquia acreditam que rainha de 95 anos nunca vai abdicar do trono para que o filho mais velho, príncipe Charles, assuma o posto. Ela, entretanto, vem abrindo mão de algumas funções há algumas décadas e, gradualmente, faz a transição de poder para o primogênito
"Os membros da família real podem representar a rainha em compromissos oficiais, com exceção das funções constitucionais, como as reuniões com o primeiro-ministro e a assinatura de atos do Parlamento", explicou o professor Vernon Bogdanor ao jornal britânico The Guardian
Quando a rainha está de licença de saúde, ela pode ser substituída por membros do Conselho de Estado. Pela lei, esse grupo é composto pelo marido da monarca e as quatro primeiras pessoas na linha sucessória
No caso de Elizabeth, o conselho atualmente é formado pelos príncipes Charles, William, Harry e Andrew. Esses integrantes podem participar de algumas reuniões com membros do governo federal, assinar documentos de rotina e receber credenciais de embaixadores do Reino Unido
O conselho, entretanto, não tem poder de decisão. Seus membros não podem dissolver o Parlamento ou dar posse a um novo primeiro-ministro, por exemplo
Como Harry não trabalha mais para família real e Andrew se aposentou após um escândalo de pedofilia, a rainha tem confiado aos príncipes Charles e William novas atribuições, inimagináveis há alguns anos. Confira quais:
1.
Abertura do Parlamento
Desde que ascendeu ao trono, a rainha abre o parlamento após o recesso dos deputados e senadores. Elizabeth participa da cerimônia oficial e faz um discurso. A monarca faltou ao evento em apenas duas ocasiões: em 1959 e 1963, quando estava grávida de Andrew e Edward, respectivamente
Em 2017, quando o marido da rainha, príncipe Philip, aposentou-se, Charles passou a acompanhar a mãe ao evento. Ele poderia participar da cerimônia sem a presença de Elizabeth, porque a abertura do Parlamento é uma formalidade, não uma obrigatoriedade constitucional
2.
Cerimônia no Cenotáfio
Em todo 11 de novembro, o Dia da Lembrança, a rainha coloca uma coroa de flores no Cenotáfio, um monumento localizado em Londres que homenageia os militares mortos em guerras. A cerimônia conta com a participação de todos os membros da família real
Desde 2017, Elizabeth atribuiu a Charles a função de colocar flores no monumento, enquanto ela assiste à cerimônia ao lado dos demais integrantes da realeza. O evento faz parte do calendário oficial da monarquia
3.
Viagens internacionais
A rainha não sai do Reino Unido há anos. Filhos e netos de Elizabeth assumiram todos os compromissos internacionais dela. Isso inclui viagens diplomáticas e reuniões com chefes de governo
4.
Problemas de família
A família real enfrentou dois grandes escândalos nos últimos anos: a abdicação do príncipe Harry e a acusação de pedofilia do príncipe Andrew. Os príncipes Charles e William ficaram à frente da resolução desses problemas e tomaram decisões polêmicas. O filho da rainha foi aposentado e o neto perdeu a mesada
5.
Medalhas oficiais
A monarca sempre fez questão de participar das cerimônias de entrega de medalhas e títulos. Ao longo dos anos, porém, ela passou a função para Charles, William e Anne, sua única filha. A transição aconteceu de forma gradual e, hoje, Elizabeth quase não participa mais desse tipo de evento