Só cortar calorias não basta: o que trava a resistência à insulina
Nutricionista explica que a resistência à insulina é multifatorial. Por isso, o déficit calórico, sozinho, não resolve o problema
atualizado
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Indivíduos que emagrecem, mas continuam com resistência à insulina. Por que isso acontece? O que explica o fato de o déficit calórico não resolver o problema em muitos casos?
Ao Metrópoles, a nutricionista Danielle Rangel, especialista em metabolismo e saúde hormonal, explica que o déficit calórico ajuda na perda de peso, mas ele não trata a raiz do problema. A resistência à insulina está muito mais ligada à qualidade metabólica do organismo do que apenas ao número na balança.
“Muitas vezes, a paciente perde peso, mas mantém inflamação, gordura visceral e uma baixa sensibilidade muscular à insulina”, conta a profissional.
Além disso, dietas muito restritivas, feitas por longos períodos, podem gerar efeito contrário, afirma Danielle. “Aumento do estresse metabólico, elevação do cortisol e perda de massa magra, o que piora ainda mais a resposta à insulina.”
Ou seja, emagrecer não significa, necessariamente, recuperar a saúde metabólica.
Principais fatores que mantêm a resistência à insulina
De acordo com a especialista em metabolismo e saúde hormonal, a resistência à insulina é multifatorial. Isso, por sua vez, é um dos pontos mais negligenciados.
Na prática, os principais fatores que Danielle observa são:
- Inflamação crônica de baixo grau.
- Excesso de gordura visceral.
- Cortisol elevado (principalmente em pacientes estressadas e com rotina intensa).
- Alterações hormonais, incluindo tireoide e eixo feminino.
- Baixa massa muscular.
- Sono desregulado.
- Alterações intestinais e microbiota comprometida.
Outro fator importante é que pacientes que fazem dieta por muitos anos entram em um estado de adaptação metabólica.
“O corpo passa a economizar energia, reduz o gasto metabólico e se torna menos responsivo — o que mantém a resistência à insulina mesmo com alimentação controlada”, afirma a expert.
O que ajuda a tratar a resistência à insulina
Para que o problema seja amenizado ou resolvido, é preciso não focar em apenas reduzir calorias. Segundo Danielle, existem algumas estratégias com excelentes resultados.
Entre elas:
- Controle da carga glicêmica das refeições.
- Distribuição estratégica de proteínas, gorduras e carboidratos.
- Ciclagem de carboidratos, quando bem indicada.
- Aumento do consumo de fibras.
- Estratégias para preservação e ganho de massa muscular.
- Organização do timing alimentar.
“Em alguns casos, associo suplementação e protocolos manipulados de forma individualizada. O mais importante é entender que o tratamento precisa ser personalizado. Não existe um modelo único”, orienta a nutricionista.
Danielle acrescenta que muitas pessoas convivem com resistência à insulina sem diagnóstico, mesmo tentando emagrecer há anos. “É exatamente por isso que olhar apenas para a balança não é suficiente”, conclui.






































