Qualidade dos espermatozoides pode diminuir após os 40 anos, diz médico
Avaliação hormonal e dos espermatozoides ajuda a identificar riscos e aumentar as chances de uma paternidade saudável após os 40 anos
atualizado
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Cada vez mais homens têm adiado o projeto de ser pai, seja por escolhas profissionais, estabilidade financeira ou mudanças nos modelos de família. A paternidade após os 40 anos, no entanto, traz questões específicas que vão além da fertilidade e merecem atenção médica. Nesse contexto, a avaliação hormonal surge como um aliado fundamental para compreender como o corpo masculino responde ao passar do tempo e quais cuidados são necessários antes de planejar a chegada de um filho.
Segundo urologistas, exames hormonais ajudam a identificar alterações que podem impactar não apenas a capacidade reprodutiva, mas também a saúde geral do homem. Níveis de testosterona, por exemplo, influenciam diretamente a produção de espermatozoides, o desejo sexual, a disposição física e até o humor. Ao mapear esses indicadores, o acompanhamento permite intervenções precoces e aumenta as chances de uma paternidade mais saudável e consciente.

O urologista Rafael Ambar explica que a partir dos 40 anos a qualidade dos espermatozoides tende a diminuir, o que pode impactar na fertilidade masculina. “Os homens que desejam adiar a paternidade para depois dos 40 anos devem passar por uma avaliação completa da sua fertilidade. Isso inclui dosagens dos principais hormônios relacionados ao funcionamento dos testículos, produção de espermatozoides e função sexual.”
Alterações hormonais e fertilidade masculina
Quando se fala em alterações hormonais, é comum que o tema seja mais associado à saúde feminina. No entanto, os hormônios são igualmente essenciais para a produção de espermatozoides saudáveis e para o bom funcionamento do organismo masculino como um todo. Desequilíbrios hormonais podem ocorrer de forma gradual e, muitas vezes, passam despercebidos até o momento em que o homem tenta engravidar a parceira.

Entre as possíveis consequências dessas alterações estão:
- Redução da quantidade e da qualidade dos espermatozoides, o que diminui as chances de gravidez natural.
- Aumento da proporção de espermatozoides com alterações genéticas ou danos no DNA, condição que se torna mais frequente com o avanço da idade e com níveis hormonais inadequados.
- Maior risco de abortamento espontâneo, especialmente quando a paternidade ocorre após os 50 anos. Alguns estudos também apontam associação entre idade paterna avançada e maior risco de doenças genéticas e transtornos do neurodesenvolvimento no bebê.

“É importante destacar que os desequilíbrios hormonais raramente aparecem isolados”, ressalta Rafael Ambar. O expert diz que eles costumam vir acompanhados de fatores como obesidade, resistência à insulina, estresse crônico, sedentarismo e processos inflamatórios persistentes, que também afetam negativamente a saúde reprodutiva masculina.
Por isso, além dos exames, os especialistas reforçam a importância de hábitos saudáveis antes de planejar a paternidade.
Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso, sono de qualidade e redução do consumo de álcool e cigarro fazem parte de um cuidado global que beneficia tanto a fertilidade quanto a saúde a longo prazo.
Mais do que um obstáculo, a idade pode ser encarada como um convite ao planejamento. Com informação, acompanhamento médico e atenção ao próprio corpo, é possível vivenciar a paternidade madura de forma plena, responsável e com mais segurança para o pai, a parceira e o futuro filho.
