Influenciadoras contam como lidam com as críticas ao corpo na web

Mulheres fora do padrão social relatam a importância da representatividade e aceitação do corpos nas redes sociais

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

atualizado 12/01/2020 13:26

Um comentário ofensivo ou uma piada maldosa. Antes algo banal, postar uma foto nas redes sociais, hoje, pode tornar o usuário refém do próprio desejo de compartilhar a rotina. Em maio do ano passado, uma entidade de saúde pública do Reino Unido entrevistou 1.479 pessoas, de 14 a 24 anos, e constatou que 90% delas utilizam redes sociais. Para esta parcela, oInstagram é a plataforma que mais influencia no sentimento de depressão, ansiedade e solidão.

Em grande parte das postagens, o corpo da mulher é o primeiro alvo de ataques. Diante de padrões estéticos impostos pela mídia, não é raro presenciar pessoas julgando, criticando e apontando os “defeitos” do corpo alheio.

Longe de deixar a saúde de lado, muitas influencers enfrentam o lado negro da rede. É o caso de Cleo, cantora e atriz que, nos últimos meses, se tornou um nome importante no movimento body positive.  Depois de enfrentar doenças como a bulimia, a filha de Gloria Pires resolveu se libertar de padrões. Ao lado dela, há outras representantes que conseguem aliar autoaceitação, bem-estar e busca pela felicidade. Acabam quebrando padrões e se transformando  em referências.

 

Autodefesa

Segundo a psicóloga Laura Pertence, a estrutura física está associada ao sistema de consumo, e a mídia atua reforçando as maneiras de atingir tal o padrão exigido.

Os haters aproveitam qualquer oportunidade para atacar o ego desses usuários 

Laura Pertence

De acordo com a especialista, é preciso ter inteligência emocional para lidar com os comentários ofensivos.

“A melhor maneira para se defender é estar seguro dos seus objetivos. As críticas passam a não ter tanta importância”, pontua Laura.

Exposição nas redes

“Você é tão linda, mas, se fosse magra, seria maravilhosa.” Esse é um dos comentários desagradáveis que a modelo e maquiadora Marília Giassi, 27 anos, recebe ao postar alguma foto de biquíni no Instagram.

A jovem iniciou a carreira no mundo da moda plus size com o incentivo de parentes e pessoas próximas.  Para ela, que tem o apoio da família, o maior desafio no universo da beleza é a autoaceitação.

“Esse tipo de pensamento não muda de um dia para o outro. Também me cobro muito pelo padrões estéticos”, conta Marília.

A jornalista e influenciadora digital Naiana Ribeiro, 25 anos, também está conquistando seu espaço na plataforma.  Ela recebe diariamente mensagens de pessoas, em sua maioria mulheres, que compartilham experiências de autoconhecimento.

“Muitas delas ainda não se entenderam e querem aumentar a autoestima e amor próprio”, declara Naiana.

Lamentavelmente, também são frequentes as opiniões de ódio, sobretudo quando as postagens viralizam e alcançam um número maior de usuários.

O anonimato e a falsa sensação de impunidade estimulam que os usuários soltem as amarras e compartilhem pensamentos ofensivos

Naiana Ribeiro
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Para jornalista, o grande problema do app de compartilhamento de imagens e vídeos são as influenciadoras que fazem conteúdos falsos, ou que publicam fotos recheadas de tratamento, criando uma falsa imagem diante do público.

“Eu sigo pessoas reais, que têm o corpo parecido com o meu e  que produzem um conteúdo que me acrescenta”, pontua.

Amor próprio

Marília Giassi relembra que já tentou diversas vezes começar uma dieta, mas o resultado sempre era falho. Ela desistia e comia tudo em dobro.

“Foi difícil aceitar o meu corpo. Ficava muito desconfortável e me importava com a opinião alheia”, declara Marília.

Na vida real, Naiana Ribeiro ouve menos comentários gordofóbicos em comparação aos que lê na internet. Por conta da alimentação, a jovem desenvolveu ansiedade. A saúde mental ficou abalada, sobretudo por não se sentir bem com seu peso.

Uma das maneiras de atender a expectativa da sociedade foi fazer dieta aos 10 anos de idade. Ela recorreu a polêmicos regimes restritivos.

Em um deles, só era permitido beber suco de maracujá e comer presunto

Naiana Ribeiro

Atualmente, ela garante que se olha no espelho e que aceita suas formas com plenitude.

Militância online

Marília alega que o crescimento da moda para mulheres fora do padrão cria mais espaço para o debate do tema no meio social.

As meninas estão mais determinadas a amar e aceitar seu corpo da forma que se sentem bem

Marília Giassi

Para Naiara, o ponto chave da relação com a militância foi em 2012, quando eu entrou na faculdade de jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Como trabalho final de curso, a moça resolveu produzir a revista digital Plus. O conteúdo aborda assuntos sobre a representatividade de meninas fora do padrão.

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A jornalista ressalta que gordofobia não se restringe, apenas, aos comentários de ódio no Instagram e em outras redes sociais. Vai além. É caracterizada, também, pelo opressão de direitos em diversos âmbitos, além de violências físicas e psicológicas. “Não tem um dia em que deixo de militar. Às vezes, é cansativo. Mas não lutar não é uma escolha”, conclui Naiana.

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