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Criada em 1960, a pílula anticoncepcional foi um grande marco e uma super aliada do empoderamento feminino. O uso do contraceptivo está diretamente relacionado à liberação sexual e feminista. No entanto, nos últimos anos, as mulheres começaram a questionar a utilização dos hormônios – consequentemente os efeitos colaterais do estrogênio e da progesterona –, optando por não mais usá-los.

Mas, vamos combinar, largar o anticoncepcional não é assim tão fácil. O medo de não conseguir se adaptar à vida com uma possível menstruação desregulada (pelo menos nos primeiros meses), possibilidade de acne no rosto e nas costas (sendo o último bem comum), agravamento da TPM, oscilações hormonais, entre outros, deixa uma pulga atrás da orelha. Fique tranquila, você não está sozinha nessa.

“Cada mulher reage de um jeito, não tem como saber previamente. Sua idade, o tempo que tomou a pílula, tudo isso pode influenciar. O mais importante é consultar um ginecologista antes de simplesmente abolir o medicamento.”, explica a médica Cláudia Cunha.

Pronto, primeira dica dada. Não querendo tornar essa escolha de método contraceptivo uma vilã, mas existem alguns benefícios para quem abre mão da pílula. Por exemplo, aumento da libido e melhora de dores de cabeça e enxaquecas. “Também tem a redução do risco de problemas cardiovasculares, como varizes e, mais seriamente, trombose”, diz Cláudia, ginecologista e obstetra.

Veja os passos para sua vida não virar de cabeça para baixo sem o medicamento:

Alimentação
Ok, já sabemos da necessidade de falar com o ginecologista antes de qualquer coisa. Porém, a situação também pode ser uma boa oportunidade para consultar um nutricionista. “Como a pele tende a ficar oleosa, ter uma alimentação balanceada pode ajudar. Muitas vezes, você não está comendo bem e não sente os efeitos na cútis, pois o remédio está ‘mascarando’. Melhor prevenir para não ter uma surpresa desagradável”, aconselha a profissional Larissa Moreira.

Cuidados externos com a derme também são necessários – como limpar e tonificar. Se a acne realmente te incomodar muito é melhor procurar um dermatologista.

 

Os sintomas de antes podem voltar
Sentia muita cólica? Não tinha menstruação regrada? O fluxo era intenso? Com o fim da contracepção, alguns desses sinais podem voltar pra sua vida. Muita calma nessa hora. Não pague para ver. Tenha medicação e bolsas térmicas prontas, além disso, tente praticar alguma atividade física para aliviar os sintomas.

“Comece a anotar as mudanças percebidas em seu corpo. Ninguém melhor que você para saber como ele está reagindo com a nova situação. Com essa percepção, será mais fácil saber sobre os próximos meses. Muitos aplicativos têm essa função”, sugere Cláudia.

 

Nada pela metade
Não abandone imediatamente os remedinhos diários. Aguente as pontas e termine a cartela. “Assim, você vai ficar menstruada e poderá começar um novo ciclo sem a medicação. Parando no meio, você pode acabar bem perdida em que etapa estará do processo”, diz o ginecologista Jorge Medeiros.

 

Aguente firme
Seu corpo estará começando tudo de novo. O que isso significa? “É normal, nos primeiros meses, sentir alterações de humor, cólicas fortes, fluxos mais intensos e desregrados, surgimento de espinhas no rosto e nas costas, e TPM mais severa. A boa notícia é: isso tudo passa – cada mulher no seu tempo. Já se foram mais de seis meses? Procure um profissional para checar como estão seus hormônios”, explica Medeiros.