Versamune: Helena Lopes dá detalhes sobre a vacina do governo

A presidente da startup Farmacore explica como funciona o projeto apoiado pelo Executivo para o desenvolvimento da vacina 100% nacional

atualizado 26/04/2021 11:03

Helena Faccioli Lopes, presidente da FarmacoreReprodução

Anunciada pelos ministros Marcelo Queiroga (Saúde) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) em março, a vacina contra a Covid-19 Versamune será um dos primeiros imunizantes 100% nacionais. O projeto está sendo coordenado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP, em parceria com a startup Farmacore e a empresa PDS Biotechnology. O investimento financeiro será feito pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).

Em entrevista ao Metrópoles, Helena Faccioli Lopes, presidente da Farmacore, deu mais detalhes sobre os estudos clínicos da vacina, além da tecnologia do medicamento, previsão para início dos testes e o investimento estimado. De acordo com Helena, a primeira fase dos estudos em humanos será feita com 360 participantes.

A Versamune será aplicada em duas doses, com intervalo de 21 dias entre elas. O projeto está sendo inteiramente custeado pelo governo federal por meio da Rede Vírus, organizada pelo MCTI. Para as fases 1 e 2 da pesquisa, a estimativa é de que o governo gaste cerca de R$ 30 milhões. Já a etapa final – ensaios clínicos que ocorrerão em diversas cidades brasileiras – deverá custar em torno de R$ 300 milhões.

A especialista detalha que a vacina terá dois componentes principais: a proteína S1 recombinante associada a uma tecnologia vacinal que tem como objetivo acionar as células T do organismo, células com funções imunológicas de resposta antiviral.

“Além da criação de anticorpos neutralizantes que combatem o coronavírus imediatamente após o contato, a vacina terá como ação diferencial essa estimulação da resposta do sistema imunológico através das células T. Ela vai criar uma vigilância imunológica e ativar todas as formas de combater infecções virais”, completa Helena.

O objetivo é que a resposta imunológica “específica e direcionada” seja capaz de criar uma memória contra contatos futuros com o Sars-CoV-2. “Isso vai ensinar o organismo a combater a infecção”, explica Helena Lopes. Além de impedir a entrada do coronavírus nas células, o imunizante deve “matar” as já infectadas.

Os estudos não clínicos em animais mostraram que a vacina é segura, de acordo com a representante do projeto. Os primeiros testes clínicos das fases 1 e 2 em humanos serão feitos com 360 participantes saudáveis e devem começar em maio, com expectativa de conclusão entre três e quatro meses.

Para a fase 3, última etapa de estudos, os pesquisadores aplicarão a Versamune em 30 mil pessoas de diversos estados brasileiros. Nessa etapa, a eficácia do imunizante será testada. A pesquisadora afirma, ainda, que a previsão é de que todos os estudos clínicos da vacina sejam concluídos em até 12 meses.

Os pesquisadores acreditam que o imunizante será capaz de gerar uma resposta imunológica de até 12 anos, porém, de acordo com Helena, essa é uma estimativa “baseada na literatura” científica. “Já sabemos através de outros produtos, testes e tecnologias que a resposta de células T dentro do organismo pode durar até 12 anos, mas só temos como analisar esse dado com os testes em humanos”, reforça.

A empresa já apresentou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) dados pré-clínicos, a partir de testes realizados com roedores. No entanto, os ensaios com voluntários só poderão começar após autorização do órgão regulador. No dia 28 de março, a Anvisa anunciou que precisará de informações complementares para dar sinal verde às pesquisas com seres humanos.

Veja como são as etapas de estudo das vacinas contra a Covid-19:

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