Queda da média móvel das mortes por Covid-19 exige cautela para flexibilização

Indicador tem confirmado tendência de queda da epidemia no país, mas ainda é muito influenciado por variações momentâneas

atualizado 04/10/2020 10:23

coronavírusArte/Metrópoles

Um dos padrões adotados para monitorar a evolução da pandemia da Covid-19 é a observação da média móvel de óbitos. O cálculo leva em consideração a última semana ou os 14 dias anteriores e revela uma tendência mais clara, menos sujeita às variações comuns a cada dia da semana.

A média móvel de óbitos do Brasil, relativa aos últimos 14 dias, apresentou uma queda de pouco mais de 8% na sexta-feira (2/10) e indica estabilidade. Apesar de os números serem favoráveis, Guilherme Werneck, vice-presidente da Abrasco e professor do Instituto de Medicina Social da Uerj e do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da UFRJ, afirma que a epidemia não está controlada.

“Estamos em uma situação de melhoria, mas é uma situação instável. O momento exige muita atenção e cuidado. Os cenários atuais são muito influenciados pelo desejo do gestor local de agradar a população, de flexibilizar as restrições, e isso pode reverter a redução atual”, avalia o professor.

Situação epidemiológica
A maior parte dos estados brasileiros vem apresentando uma queda sustentável ou uma estabilização da média móvel. No Distrito Federal, no entanto, o indicador subiu pelo terceiro dia consecutivo na sexta-feira (2/10), e chegou a 16,6. Na comparação com as últimas duas semanas, entretanto, houve uma diminuição de 29,7%.

Segundo o professor da Uerj e da UFRJ, os cenários são rapidamente alterado se o isolamento social é flexibilizado sem segurança. “Se há uma reabertura generalizada – as pessoas voltarem a frequentar cinemas, teatros, restaurantes –, a tendência é o aumento do contágio. Agora, se for mantido o distanciamento social e os protocolos de reabertura forem seguidos, o esperado é que a epidemia reduza seu alcance”, aponta.

Taxa de transmissão
Outro indicador importante é a taxa de transmissão, indicada pelo ritmo de contágio (Rt) do novo coronavírus. O índice faz uma previsão de como o vírus se espalhará nos próximos dias.

Na última terça-feira (29/9), dados do Imperial College, de Londres, mostraram um recuo do Rt de 1 para 0,95. Significa que para cada 100 pessoas contaminadas pela Covid-19, outras 95 ficarão doentes.

Para Werneck, embora o Rt esteja diminuindo, o percentual ainda é pouco expressivo. “Todo valor abaixo de 1 indica desaceleração e a gente fica feliz, mas isso é uma questão quantitativa. A taxa ainda está muito próxima de 1 e isso pode mudar rapidamente. A reabertura pode levar a 1,02, por exemplo”, explica.

Sobre o momento atual, ele repete que a pandemia ainda não acabou. “Você continua tendo a transmissão, mas de uma forma mais lenta. Qualquer modificação, como aumento de contato, a diminuição do uso de máscaras ou a abertura de escolas, pode fazer com que o Rt suba novamente”, conclui.

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