Erro em experimento de Cambridge revela caminho para novos remédios

Descoberta acidental levou cientistas a criar reação química mais simples para modificar moléculas usadas no desenvolvimento de remédios

atualizado

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Foto colorida de tubos de ensaio, com fundo ver, líquido roxo e uma mão pingando algo no frasco, provocando uma reação química - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de tubos de ensaio, com fundo ver, líquido roxo e uma mão pingando algo no frasco, provocando uma reação química - Metrópoles - Foto: Freepik

Um erro em um experimento realizado por cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, acabou levando a uma descoberta que pode facilitar etapas importantes da pesquisa famacêutica na elaboração de novos remédios.

O resultado inesperado foi descrito em um estudo publicado nessa quinta-feira (12/3) na revista científica Nature Synthesis. A pesquisa apresenta uma nova forma de modificar moléculas complexas usadas no desenvolvimento de medicamentos, utilizando luz em vez de reagentes químicos agressivos.

A descoberta ocorreu durante um experimento conduzido pelo químico David Vahey, pesquisador de doutorado do St John’s College, em Cambridge. O objetivo do teste era avaliar o papel de um catalisador em uma reação química.

Durante o experimento de controle, porém, o cientista retirou esse componete —  e percebeu que a reação continuou funcionando mesmo sem o catalisador.

Em vez de descartar o resultado como uma falha experimental, os pesquisadores decidiram investigar o fenômeno com mais cuidado. Foi assim que identificaram um novo mecanismo químico capaz de modificar moléculas complexas de maneira mais simples. 

“Encontramos uma nova maneira de fazer mudanças precisas em moléculas complexas de medicamentos”, afirmou Vahey ao comentar o resultado da pesquisa.

Nova reação química pode facilitar estudos com medicamentos

A equipe descreve no estudo uma reação chamada “anti-Friedel–Crafts”, uma variação de um processo clássico da química usado para formar ligações entre átomos de carbono — etapa essencial na construção de muitas moléculas farmacêuticas.

Normalmente, esse tipo de reação exige o uso de catalisadores metálicos ou substâncias químicas fortes e costuma ser aplicado nas fases iniciais da síntese de moléculas.

A nova abordagem pode permitir que cientistas façam pequenas modificações em moléculas complexas já prontas ou quase finalizadas. Isso pode ajudar pesquisadores a testar variações de compostos com mais rapidez durante o desenvolvimento de novos medicamentos.

Pequenas alterações na estrutura química de uma molécula podem influenciar características importantes, como:

  • A eficácia de um medicamento;
  • A duração do efeito no organismo;
  • A forma como a substância interage com células e tecidos;
  • O risco de efeitos colaterais.

Segundo os pesquisadores, poder fazer essas mudanças nas etapas finais da síntese química pode reduzir tempo e trabalho no laboratório. 

Reação é ativada apenas com luz

Outro aspecto que chamou atenção dos cientistas é a forma como o processo ocorre. Em vez de depender de catalisadores metálicos ou reagentes potencialmente tóxicos, a reação é ativada por uma lâmpada de LED, que inicia uma reação em cadeia capaz de formar novas ligações entre átomos de carbono.

O processo também ocorre em temperatura ambiente e em condições mais suaves, o que pode tornar a reação mais simples de executar em laboratório.

Além de facilitar o trabalho de pesquisadores, métodos químicos mais simples também podem reduzir custos e o uso de substâncias agressivas em processos industriais.

Para o professor Erwin Reisner, líder da pesquisa e especialista em química sustentável no Departamento de Química Yusuf Hamied da Universidade de Cambridge, o episódio mostra como a ciência muitas vezes avança a partir de resultados inesperados.

“Reconhecer valor no inesperado é uma das características mais importantes de um cientista”, afirmou o pesquisador.

Segundo ele, muitos avanços científicos surgem quando pesquisadores decidem investigar resultados que inicialmente parecem apenas falhas experimentais.

A equipe também testou o método em diferentes moléculas semelhantes às usadas em medicamentos e demonstrou que a reação pode funcionar em diversos sistemas químicos. O estudo contou com colaboração da farmacêutica AstraZeneca, que avaliou o potencial da técnica para aplicações futuras na pesquisa de medicamentos.

Apesar do potencial, os próprios pesquisadores destacam que o método ainda precisa ser explorado em novos estudos. O próximo passo será testar a reação em diferentes tipos de moléculas e avaliar como a técnica pode ser aplicada em larga escala na pesquisa farmacêutica.

Segundo Vahey, o verdadeiro impacto da descoberta dependerá de como outros cientistas e a indústria irão utilizar a nova ferramenta química. “O impacto real virá quando outros pesquisadores começarem a explorar o que é possível fazer com essa reação”, disse o químico.

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