O que se sabe sobre eficácia e segurança da vacina Oxford/AstraZeneca para idosos
Após vacina não ter sido indicada na Alemanha, surgiram questionamentos sobre a eficiência do imunizante para a população acima de 65 anos

O início da vacinação contra a Covid-19 em caráter emergencial no Brasil vai completar três semanas, mas a população ainda tem dúvidas sobre a segurança e eficácia dos imunizantes. Os questionamentos voltaram depois que a Comissão de Vacinação da Alemanha (STIKO) emitiu um documento afirmando não recomendar a vacinação para maiores de 65 anos com a fórmula Oxford/AstraZeneca.
A principal justificativa foi a falta de estudos clínicos voltados para a população dessa faixa etária. De acordo com o texto dos especialistas alemães, “os dados atualmente disponíveis são insuficientes para avaliar a eficácia das vacinas em pessoas com mais de 65 anos”.
Durante os estudos clínicos internacionais feitos para o desenvolvimento da vacina, 660 pacientes idosos foram incluídos e apenas dois acabaram sendo contaminados pelo vírus. Além da Alemanha, outros países, como Suécia, Áustria, Polônia e França, consideram que não há participantes suficientes para garantir que o imunizante realmente funciona. Não há preocupação com a segurança da fórmula mas sim com a eficácia.
Em comunicado, June Raine, executiva-chefe da Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) do Reino Unido, defendeu o imunizante da AstraZeneca, afirmando que os dados até o momento mostram “uma forte resposta imunológica em pessoas com mais de 65 anos e que é segura”.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e CiênciaNo Brasil, a Fiocruz, parceira da AstraZeneca e responsável pela produção do imunizante em território nacional, também garante que as evidências até o momento mostram que a vacina é segura e capaz de incentivar a produção de anticorpos em idosos.
“De acordo com os resultados dos ensaios clínicos da fase 3, não há contraindicações para imunização de idosos com a vacina Oxford/AstraZeneca”, escreve o instituto, em nota. Ainda de acordo com a Fiocruz, no estudo clínico, 100% dos idosos com mais de 65 anos que participaram da pesquisa adquiriram anticorpos específicos após a segunda dose, ou seja, o imunizante trouxe benefícios para os que o receberam.
Dados insuficientes
Em nota, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirma que não há dúvidas ou questionamentos sobre a segurança das vacinas autorizadas neste momento no país. “De forma geral, a incerteza sobre a eficácia da vacina Covishield (Oxford) para a população idosa é conhecida e foi considerada no processo de aprovação do uso emergencial. Com os dados disponíveis atualmente, entretanto, não é possível afirmar sobre a eficácia específica em população com idade superior a 65 anos”, explica a agência.
A Anvisa diz ainda que, no momento, só é possível afirmar que o número de idosos participantes do estudo não é considerado “estatisticamente relevante” para definir a eficácia nesse grupo. Cerca de 6% dos participantes dos estudos clínicos apresentados à agência tinham 65 anos ou mais.
“Após a avaliação dos dados, verificou-se eficácia total de 70,42% para a vacina em estudo. Diante disso, a Anvisa determinou que, ao autorizar o uso emergencial da Covishield (Oxford), a vacinação deve ser feita com o permanente acompanhamento da população idosa vacinada”, diz.
A morte de um idoso de 83 anos após tomar a vacina também acendeu alertas na população. A Anvisa, o Ministério da Saúde e a Fiocruz investigam o caso e, até o momento, não há nenhuma prova de que o óbito esteja relacionado ao imunizante.
Serão analisados o histórico de saúde do paciente, assim como as condições de conservação e aplicação das vacinas. Também foi coletado material biológico para exames. A conclusão preliminar do caso deve ser divulgada nos próximos dias.
Segurança garantida
Além das agências reguladoras garantirem, os especialistas são unânimes em dizer: a vacina é, sim, segura para maiores de 65 anos, e a população pode se vacinar sem medo. O diretor científico da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal, David Urbaez, acrescenta que esse é um grupo de altíssima prioridade. “O que pode acontecer com qualquer vacina é mal-estar, um quadro parecido com o da gripe, mas essas reações são próprias da ativação imunológica que a vacina induz. Não há nada a temer”, garante.
Bernadete Peres, vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), médica sanitarista e professora da Faculdade de Medicina da UFPE, ensina que a segurança é a capacidade de a vacina não produzir efeitos colaterais graves. “No geral, todos os imunizantes apresentados até agora são seguros”, diz.

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Ver todasAmpliação dos testes
Os especialistas pedem que se ampliem os testes de pessoas com mais de 75 anos na fase 3 – esses estudos devem continuar, pois são necessários para conseguir o registro permanente na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). É com essa autorização que as farmacêuticas poderão produzir e vender quantas doses quiserem.
“Até que a gente tenha melhores pesquisas e resultados sobre a eficácia, é importante que as pessoas continuem seguindo as recomendações de proteção individual e coletiva, como uso de máscara, higiene das mãos, distanciamento social. Vacinar, achar que está resolvido e baixar a guarda é uma situação que não orientamos”, diz a vice-presidente da Abrasco.
Veja na galeria como cada tipo de vacina funciona:





















