Brasilienses criam respirador mecânico que custa menos de R$ 1 mil

Equipamento hospitalar normal custa até R$ 100 mil. Modelo criado no DF serviria para uso emergencial

atualizado 13/05/2020 8:50

respirador de acrílico feito no DFBMC/Divulgação

Buscando maneiras de ajudar na luta contra o coronavírus, engenheiros e médicos do Brasília Maior que o Covid (BMC) criaram um respirador de baixo custo para equipar UTIs do sistema público de saúde. Enquanto o equipamento hospitalar tradicional tem custo que chega aos R$ 100 mil, a opção brasiliense poderia ser produzida por apenas R$ 1 mil.

Um dos principais “gargalos” da resposta do Brasil à epidemia do coronavírus é, justamente, a falta de respiradores. Além de ser caro, o equipamento está em falta nos grandes produtores do mundo, já que a maioria dos países estão tentando comprá-lo. A solução do governo brasileiro foi unir-se à indústria e equipar os pequenos produtores do país para resolver o problema internamente — porém, a velocidade de entrega pode não ser ágil o bastante para enfrentar o problema de imediato.

Pacientes críticos e graves de coronavírus podem precisar do equipamento, já que o vírus ataca, principalmente, os pulmões e causa dificuldade de respiração e baixa oxigenação sanguínea. Porém, o maior entrave é o tempo de internação, que dura em média 14 dias e dificulta a reutilização do equipamento por outras pessoas.

Para ajudar a resolver o problema, o grupo usou peças simples e corriqueiras para criar o protótipo, como motor de para-brisa, peça de máquina de lavar roupa e alguns componentes eletrônicos. A estrutura é feita de acrílico transparente e a ideia não é concorrer com os produtos profissionais, e sim ganhar tempo para manter pacientes vivos.

“A ideia é que ele seja usado de emergência, somente até que se forneça um respirador mecânico ou o paciente seja transferido. É só para mantê-lo vivo, o nosso produto só fornece o mínimo”, explica Pedro Morais, médico e responsável pelo projeto.

Com o objetivo de garantir a segurança, um sistema de alarmes foi instalado para avisar em caso de pane elétrica, falha mecânica ou desconexão do sistema de ventilação. É possível controlar frequência respiratória e pressão e a estrutura tem válvulas de segurança como as de reanimadores manuais.

Todo o trabalho é feito de forma voluntária. Morais conta que o protótipo demorou dois meses para ficar pronto e que a maior dificuldade foi conseguir dar parâmetros de controle ao respirador. O aparato funciona como um respirador manual, onde um braço vai-e-vem e comprime um saco de ar.

O objetivo é disponibilizar o modelo de forma gratuita para que os estados e municípios possam fabricar seus próprios respiradores de emergência. Para que isso seja possível, é preciso que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprove o protótipo. Por enquanto, só foram feitos testes em simuladores e todos foram bem sucedidos.

Para que o processo seja rápido, o BMC conta com o auxílio da sociedade. “Pedimos ajuda de todos aqueles que tenham experiência na aprovação de equipamentos médicos e também das autoridades, fornecendo informações e flexibilizando as regras para a aprovação e produção desses equipamentos de forma emergencial”, diz. O médico conta que o aparato tem grau de risco de contaminação de grau 3 e, por isso, a aprovação será um pouco mais complicada.

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