Sintonia dos Gravatas: como advogado do PCC virou alvo de ação da PF

Defensor de membros da maior facção criminosa do país passou a ser investigado por supostamente “extrapolar atribuições jurídicas”

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Homem com toga de júri preta - Metrópoles
1 de 1 Homem com toga de júri preta - Metrópoles - Foto: Reprodução

Quando o celular do policial civil Marcelo Marques de Souza, o Bombom, foi apreendido — e teve o sigilo telemático quebrado –, o advogado Anderson dos Santos Domingues, o DR, atuava às vistas da polícia como defensor de membros do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Ao analisar a troca de mensagens feitas por Bombom, a Polícia Federal (PF) desvendou como funcionava um esquema de vazamento de informações sobre investigações, arquivamento de inquéritos e intermediação de documentos falsos, por meio do pagamento de propina.

O advogado passou, então, de defensor de criminosos a indiciado pela PF, cuja investigação foi referendada pelo Ministério Público Federal (MPF), que denunciou Anderson por “extrapolar suas atribuições jurídicas”.

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Fuminho, líder do PCC, é preso em Moçambique
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Fuminho ficara no Paraná até ser transferido para outra unidade
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Entre elas, como mostrado pelo Metrópoles, estaria o auxílio nas negociações para tentar resgatar Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho — sócio e braço direito de Marcola, líder máxima da facção — quando o criminoso estava preso em Moçambique, na África, após 21 anos foragido da Justiça brasileira.

Prisões

Nessa quarta-feira (25/6), a PF deflagrou a Operação Augusta, em parceria com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), para cumprir três mandados de prisão. Além de Bombom, foram alvos o policial civil Sergio Ricardo Ribeiro, o Serginho do Denarc, e o empresário Roberval Andrade, piloto de Fórmula Truck.

A operação é um desdobramento da Operação Tacitus, que investiga a execução do delator Vinícius Gritzbach, em 8 de novembro de 2024, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, região metropolitana.

Anderson também foi um dos alvos da operação da PF. Em liberdade, ele precisa cumprir algumas medidas cautelares que, caso desrespeitadas, podem ser convertidas em prisão preventiva.

Livre com ressalvas

Decisão assinada pelo juiz Luigi Monteiro Sestari, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), proibiu Anderson Domingues de manter contato com os três presos, além de Pedro Garbelini, filho do policial civil Bombom — com quem já trabalhou em escritório de advocacia.

A medida, como ressaltado pelo magistrado, não se restringe somente ao contato físico, proibindo também “qualquer tipo de comunicação, com cartas, telefonemas, mensagens de texto, e-mails, entre outros”. Ao advogado está também vedado visitar os presos, em penitenciárias ou Centros de Detenção Provisória.

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) também foi oficiada pela Justiça para garantir o cumprimento da proibição do contato entre os investigados.

A defesa deles não havia sido localizada até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.

Resgate de Fuminho

Investigação da PF, obtida pelo Metrópoles, afirma que Anderson Domingues auxiliou na execução do plano de resgate de Fuminho, repassando ordens do sócio de Marcola para Willian Barile Agati, o “concierge” do PCC.

O advogado foi denunciado pelo MPF em março desse ano. A Promotoria, conforme documento da PF, o aponta como peça importante para a continuidade das atividades da facção, “extrapolando suas funções de advogado”.

Agora investigado como suposto membro do PCC, ele contribuiu — ainda segundo denúncia do MPF — na destruição de documentos, celulares, além de atuar “ativamente” na negociação de propinas para o Deusdete Januário, cônsul honorário de Moçambique na ocasião, para impedir a extradição de Fuminho para o Brasil.

Os esforços foram em vão. Fuminho, preso em Moçambique em 13 de abril de 2020, foi extraditado para o Brasil, em um avião da Força Aérea (FAB), seis dias depois.

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O criminoso fugiu do Carandiru e estava foragido há mais de 20 anos
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Marcola: líder do PCC é levado a hospital de Base no DF sob forte esquema de segurança

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Marcola, chefe do PCC
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Marcola, chefe do PCC

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Marcola foi absolvido dos crimes investigados no âmbito desta apuração
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Defensor de chefões mortos

DR era advogado de Janeferson Aparecido Mariano Gomes, o Nefo, e Reginaldo Oliveira de Sousa, o Rê.  Ambos, de 48 anos, foram mortos com pelo menos 101 punhaladas, segundo laudo necroscópico.

Nefo e Rê foram executados dentro da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, considerada de segurança máxima no interior paulista, em junho do ano passado. Segundo a investigação, as mortes foram cometidas por quatro presos ligados ao PCC – todos com histórico de homicídios e comportamento carcerário considerado péssimo.

De acordo com a perícia, os dois chefões da facção foram vítimas de esgorjamento (corte na parte da frente do pescoço), sofreram dezenas de outras perfurações, principalmente na região do abdômen, e morreram de hemorragia. Em Rê, o médico legista encontrou 57 lesões. Já em Nefo, foram ao menos 44 perfurações.

Os assassinatos foram cometidos com um canivete e um punhal artesanal. Os líderes do PCC respondiam na Justiça pelo plano contra o senador Sergio Moro (União-PR).

Quem é Fuminho

Investigações sobre o PCC apontam que Fuminho tem ligações com a ‘Ndrangheta, a máfia da Calábria, na Itália, e controlava parte do esquema para escoar cocaína para a Europa a partir do Porto de Santos, no litoral paulista.

Segundo investigadores, o narcotraficante mantém relação próxima com Marcola, de quem é amigo de infância, e esteve diretamente envolvido no plano cinematográfico para resgatar o chefão do PCC da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, em 2018.

À época, o MPSP levantou que o criminoso havia formado um exército de homens treinados em suas fazendas na Bolívia e contava até com soldados africanos, experts em armas pesadas.

O narcotraficante foi denunciado, ainda, por ser o mandante das execuções de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca, integrantes da mais alta cúpula do PCC, que foram vítimas de uma emboscada, em Aquiraz, na Grande Fortaleza, em fevereiro de 2018. O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), no entanto, o absolveu dessa acusação.

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