RH do PCC fazia repasses de até R$ 45 mil para pagar “salários”

Facção dividia pagamentos por região e função; mensagens mostram Delinho e Neymar no núcleo que organizava repasses a integrantes da facção

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Arte gráfica em cujo primeiro plano há flha de caderno espiral, destacada, com listagem de valores e regiões. AO fundo, homem de meia idade branco, de cabelos curtos e semblante sério - Metrópoles
1 de 1 Arte gráfica em cujo primeiro plano há flha de caderno espiral, destacada, com listagem de valores e regiões. AO fundo, homem de meia idade branco, de cabelos curtos e semblante sério - Metrópoles - Foto: Arte/Metrópoles

Investigação da Polícia Civil sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC) aponta que a facção mantinha uma espécie de sistema interno de remuneração, com repasses mensais divididos por região e por função dentro da organização criminosa.

Os valores, que chegavam a R$ 45 mil por mês, não eram destinados a uma única pessoa, mas a grupos inteiros, que são chamados de quadros, formados por vários integrantes.

A estrutura incluía divisões entre capital, macrorregião de São Paulo, Baixada Santista e interior, funcionando como um “RH do crime”.

Segundo o relatório, os repasses eram direcionados a quadros distribuídos nessas regiões, com valores distintos, conforme o peso estratégico de cada núcleo e o número de integrantes. A divisão financeira mostra uma estrutura estadual organizada, em que cada área tinha orçamento próprio para manutenção das atividades criminosas.

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Organograma PCC - Sintonia Final da Rua
Organograma PCC - Sintonia Final da Baixada
Organograma PCC - Sintonia Final do Sistema
Organograma PCC - Sintonia dos Estados e Países PCC
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Organograma PCC - Quadro dos 14
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Organograma PCC - Decretados pelo PCC (jurados de morte)
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Visão geral do novo Organograma do PCC
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Visão geral do novo Organograma do PCC

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No mesmo núcleo investigado, aparece Everton de Brito Nemésio, o Delinho, apontado como integrante do alto escalão da facção. Segundo o processo judicial, obtido pela reportagem, ele recebeu de Michael da Silva, o Neymar, uma série de imagens com comprovantes de depósitos relacionados às chamadas ajudas de custo, o que reforçaria sua ligação com o controle dos repasses financeiros dentro da organização criminosa.

Delinho consta no mais novo organograma do PCC (veja acima), elaborado pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo (Dipol). Braço direito da alta cúpula – cujo principal posto segue ocupado por Marcola –  está foragido da Justiça.

Valores divididos entre grupos

Os relatórios deixam claro que os valores descritos no processo representam o investimento mensal destinado a cada quadro, e não pagamento individual.

Região de São Paulo e macrorregião

  • Apoio ST (Sintonia Final) — 6 integrantes, investimento de R$ 45 mil;
  • Resumo Final — 8 integrantes, investimento de R$ 40 mil;
  • Final Zona Sul — 6 integrantes, investimento de R$ 9 mil;
  • Final Zona Oeste — 6 integrantes, investimento de R$ 9 mil.
  • Final Zona Norte — 5 integrantes, investimento de R$ 7,5 mil; e
  • Final Zona Leste — 5 integrantes, investimento de R$ 7,5 mil.

As trocas de mensagens apreendidas pela Polícia Civil mostram que a organização financeira da facção segue uma lógica empresarial, na qual os valores são destinados aos grupos, que depois repartem internamente conforme funções e posições dentro da facção.

Neymar e o elo com Delinho

É nesse contexto que surge Michael da Silva, o Neymar, apontado pela investigação como liderança ligada à chamada “Sintonia do Resumo”, estrutura considerada estratégica dentro do PCC. Segundo o relatório policial, cabia a ele a gestão de quadros e a operacionalização dos repasses destinados aos integrantes, papel que o colocava em contato direto com integrantes do núcleo superior da facção.

A relação com Delinho aparece justamente na circulação das informações financeiras. Em mensagens analisadas pela polícia, Neymar compartilha com o integrante do alto escalão imagens de comprovantes de depósitos referentes às ajudas de custo distribuídas aos quadros regionais.

Empresa clandestina

Para investigadores, essa troca demonstra como a cadeia financeira funcionava de forma integrada, na qual Neymar atuaria na ponta operacional, organizando a distribuição dos valores, enquanto Delinho apareceria como interlocutor dentro da estrutura superior, com acesso direto aos dados dos repasses.

O mesmo Neymar já havia sido citado em outra frente da investigação, ligada a um esquema de delivery de drogas, que gerou conflito interno na facção ao disputar consumidores das biqueiras (ponto de venda de drogas) tradicionais.

Na prática descrita pela investigação policial, o PCC opera como uma empresa clandestina, com orçamento mensal, quadros regionais e uma espécie de folha de pagamento distribuída entre seus integrantes.

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