Novo organograma do PCC inclui até jurados de morte. Veja quem é quem
Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo levantou 100 nomes que compõem a atual hierarquia da facção e desafetos
atualizado
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Entre os 100 nomes que compõem o novo organograma do Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior facção criminosa em atividade no Brasil, cinco são ex-chefões e atualmente figuram como jurados de morte pela própria organização, em um momento de racha interno que revela fissuras profundas na hierarquia do grupo.
A divulgação do mapeamento foi realizada pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo (Dipol), como revelado pelo repórter Fábio Diamante, do SBT, e confirmado pelo Metrópoles no início desta semana, com base em investigação que cruzou dados de prisões, movimentações e estrutura residual da facção.
O novo levantamento policial também informou que a facção continua estruturada com um núcleo de liderança formal, cujo principal nome ainda é o de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. Ele cumpre pena em regime de segurança máxima no sistema penitenciário federal.
A atualização do documento faz parte de uma estratégia das forças policiais para mapear áreas de atuação, relações internas e potenciais desdobramentos de violência nas ruas e presídios.
Os cinco jurados de morte (veja galeria)
Valdeci Alves dos Santos, o Colorido
Ex-número 2 nas ruas do PCC, Colorido foi um dos principais operadores da organização e chegou a lavar dinheiro de atividades criminosas por meio de empresas e igrejas, chegando a abrir várias delas como fachada para seus negócios. Ele foi jurado de morte por Marcola, segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), em meio ao racha que dilacerou a cúpula da facção.
Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka
Membro histórico da liderança, Vida Loka foi outro antigo aliado de Marcola na cúpula do PCC, mas acabou entrando em conflito com o comando central durante disputas de poder. Ele segue preso no sistema federal e, conforme apurado, também tem a vida em risco devido à ruptura com o alto comando.
Daniel Vinícius Canônico, o Cego
Líder histórico que se tornou dissidente, Cego foi um dos nomes que se voltaram contra Marcola, apoiando a dissidência dentro da facção, o que acabou por colocá-lo também em rota de confronto com o comando tradicional.
Roberto Soriano, o Tiriça
Apontado por investigadores como o rival número 1 de Marcola, Tiriça não só se afastou como passou a enfrentar o líder máximo da facção.
Em um ano, ele viu a pena aumentar em mais de 75 anos em duas condenações por homicídios, uma delas por emboscada e morte qualificada de um agente penitenciário federal. Como já mostrado pelo Metrópoles, a ruptura entre ele e Marcola foi motivada, em parte, por desentendimentos graves no alto comando, incluindo uma declaração do próprio Marcola, gravada escondida por um agente penitenciário, chamando-o de “psicopata”. O registro foi usado pela Promotoria em uma das condenações de Tiriça.
Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho
Ex-chefe com histórico de comando em cadeias federais, Andinho é um dos nomes que figura entre os jurados de morte após o racha interno.
Ele se tornou conhecido na estrutura da facção por liderar células e ser peça-chave na transmissão de ordens de dentro do sistema penitenciário federal, o que o colocou em rota de choque com Marcola e aliados. Fontes que acompanham o caso do criminoso afirmaram, em sigilo, que a acusação de “delator” e a tentativa de reconfiguração da liderança dentro das facções carcerárias contribuíram para a exclusão e posterior inclusão na lista de alvos internos de execução.
O racha histórico no PCC e o possível fim da era Marcola
O racha na cúpula do PCC não é apenas uma disputa de nomes, se trata de um conflito que, segundo promotores, pode representar uma ameaça sem precedentes ao domínio estabelecido por Marcola ao longo das últimas duas décadas. Em entrevista exclusiva ao Metrópoles, em 2024, o promotor Lincoln Gakiya, um dos maiores especialistas em crime organizado no país, afirmou que a atual divisão interna é singular e profunda.
“Na prática, o PCC rachou e, desta forma [ameaça seu líder], isso nunca aconteceu desde que o Marcola tomou o poder, lá em 2002”, disse Gakiya, destacando que é a primeira vez em 30 anos de atuação da facção que um líder histórico enfrenta uma ruptura tão ampla na base de comando.
Além disso, a reportagem apurou que a guerra interna já deixou um rastro de mortes e desaparecimentos — tanto entre aliados quanto entre o grupo ligado a Marcola — com familiares de integrantes chegando a pedir proteção policial em função da violência gerada pela disputa.
Este novo organograma, portanto, não apenas mapeia uma organização criminosa em sua forma burocrática, mas também escancara um momento de cisão e violência interna, com antigos líderes agora transformados em inimigos e alvos dentro da própria facção que ajudaram a construir.



























