Ex-sócia de empresas de Zettel ligou Wizard a Covaxin na CPI da Covid
Mulher supostamente envolvida com empresas de prateleira foi sócia de duas empresas do sócio de Daniel Vorcaro entre 2020 e 2021
atualizado
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Uma mulher que consta como ex-sócia de pelo menos duas empresas de Fabiano Zettel (foto em destaque), cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, foi usada por senadores da CPI da Covid, em 2021, para tentar comprovar a relação entre o empresário Carlos Wizard, ex-dono da escola da inglês Wizard, e o lobista Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, que intermediou a compra da vacina indiana Covaxin no Brasil.
Na época, um contrato para a compra de 20 milhões de doses do insumo, por R$ 1,6 bilhão, chegou a ser assinado pelo Ministério da Saúde, mas acabou suspenso diante das suspeitas de fraude na negociação. O valor a ser pago por dose era mais de 10 vezes superior ao cobrado pela fabricante, Bharat Biontech. A empresa disse que a Precisa não era sua representante.
De acordo com as investigações da CPI, Wizard teria atuado, por meio de um suposto “gabinete paralelo” na pasta, como um articulador do contrato. Para tentar comprovar a relação entre o empresário e Francisco Maximiano, os senadores citaram que empresas dos dois tiveram como sócia Sueli de Fátima Ferretti, acusada de envolvimento na venda de empresas de prateleira.
“As investigações desta Comissão apontam que o Sr. Wizard teria mantido relações societárias com a Sra. Sueli de Fátima Ferretti, a qual, por sua vez, teria possível relação de igual natureza com o sócio da Precisa Medicamentos, Sr. Francisco Emerson Maximiano”, disse o senador Alessandro Vieira (MDB), em requerimento apresentado na época.
O objetivo era obter da Justiça uma autorização para a quebra dos sigilos telemático e fiscal da mulher. No documento, Vieira argumenta que Sueli estava envolvida em “contexto nebuloso” e que seria necessário “averiguar os exatos termos de suas atividades econômicas”.
Sueli foi sócia das seguintes empresas de Fabiano Zettel: L.K.G.S.P.E. e N.Q.H.S.P.E, ambas sociedades anônimas fechadas com o mesmo endereço registrado na Junta Comercial de São Paulo, na avenida Horácio Lafer, no Itaim Bibi, bairro valorizado da zona sul de São Paulo. Suas atividades consistem em “holdings de instituições não-financeiras“.
No caso da L.K.G.S.P.E, Sueli constava como secretária quando a empresa foi criada, em 15 de junho de 2020, e renunciou no mesmo dia. O CNPJ passou a ficar registrada no nome de Antônio Carlos Amancio, que, em dezembro de 2021, transferiu para Zettel.
Operação semelhante ocorreu com a N.Q.H.S.P.E, criada em 21 de fevereiro de 2020 com Sueli como sócia. Após sua renúncia, passou por Amâncio até chegar nas mãos de Zettel em 17 de dezembro daquele ano.
Zettel e o Master
Fabiano Zettel foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero na última quarta-feira (14), que mirou pessoas supostamente envolvidas em fraudes realizadas pelo Banco Master por meio de fundos de investimento. O empresário e pastor chegou a ser preso quando se preparava para deixar o país, de jatinho, com destino a Dubai e foi solto momentos depois.
Como uma manobra para evitar a fuga, o ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), decretou a prisão temporária pelo prazo mínimo, de um dia, para que a Polícia Federal (PF) realizasse uma busca pessoal e apreendesse o passaporte e outros documentos do alvo.
As investigações apontam que o Banco Master teria fraudado títulos e carteiras de crédito que não tinham lastro real ou eram fictícios, inflando artificialmente seus resultados e patrimônio. Parte dessas operações teria sido vendida a outras instituições, como o Banco de Brasília (BRB), que negociava a aquisição da instituição financeira. Segundo a Polícia Federal, as irregularidades investigadas poderiam chegar a cerca de R$ 12 bilhões em valores envolvidos no esquema.
O que diz a defesa de Zettel
A defesa de Zettel descartou, em nota, que o empresário estaria tentando fugir do Brasil quando foi detido pela PF no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na região metropolitana da capital paulista.
Segundo a defesa, Zettel tinha uma viagem de negócios programada ao Barein, no Oriente Médio, e retornaria ao Brasil em 6 de fevereiro. A passagem de volta já teria sido emitida, segundo a nota.
O comunicado à imprensa destacou ainda que o empresário tem atividades “conhecidas e lícitas, sem relação alguma com a gestão do Banco Master”.
