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Ter uma cama ou uma cadeira parece algo simples. Mas para a pequena Ana Clara, 4 anos, os presentes são sinônimo de um conforto inédito. “É só colocar ela na cadeirinha que fica toda contente”, conta a avó, dona Nercina, emocionada. As doações foram feitas após a publicação de uma reportagem no Metrópoles.

Aninha, como é chamada carinhosamente, sofre de paralisia cerebral e de hidrocefalia. Mas, mesmo com as limitações das doenças, a avó faz questão de trazer um mínimo de normalidade à rotina da criança, que frequenta uma escola especial em Sobradinho.

Porém, a luta para oferecer bem-estar à criança não é fácil. Nercina deixou de trabalhar para cuidar da menina e faz questão de acordar ainda de madrugada para levar a neta ao colégio. Para isso, usava um velho carrinho de bebê, que mal comportava Ana. Em casa, as dificuldades seguiam. O único recurso da família é o auxílio dado pelo governo, usado basicamente para a compra de alimentos e remédios. Na hora de dormir, Aninha usava uma cama hospitalar antiga.

A difícil situação melhorou com a ajuda de doações. No dia 15 de julho, Aninha finalmente recebeu a cadeira de rodas. “É muito melhor para levá-la no ônibus, mantê-la sentada. Ela ama”, conta Nercina. Durante a sessão de fotos, a alegria ficou evidente. Aninha era só sorrisos enquanto estava na cadeirinha, equipada com almofadas e regulagens especiais, que foi doada por uma moradora de Sobradinho.

 

As noites de sono também estão mais calmas. A avó ganhou uma cama adaptada, mais confortável, além de cobertores, lençóis e roupas para a menina. “Agradeço muito a Deus pela ajuda. Nada me faz tão feliz quanto poder dar alegria à minha neta. É tudo novinho”, diz Nercina, com sorriso e lágrimas no rosto. A pessoa que doou a cama não quis se identificar.

A ajuda não foi apenas para Ana. Nercina recebeu uma máquina de costura para que possa trabalhar em casa, enquanto cuida da neta, e complementar a renda. “Falta um pouco de tempo, pois são muitas consultas e tenho de ficar com ela na escola. Mas quando tenho um tempinho, faço umas peças”, conta. Segundo a avó de Aninha, três senhoras foram à casa dela levar o presente. “Era meu sonho.”

As doações já ajudaram a dar mais conforto à pequena Ana Clara, mas a avó ainda quer fazer mais. “Os médicos costumam me dizer ´mãezinha, o caso da Aninha é muito difícil, ela pode deixá-la em pouco tempo’, mas eu não ligo. Minha vida é fazer o melhor para ela. Agora, quero ver se consigo arrumar o quarto dela, para que não sofra tanto com o calor e a poeira.” O cômodo em questão não conta com pintura nas paredes e a rua onde mora, em Sobradinho II, é de terra batida.

Quem quiser ajudar Nercina em seu próximo objetivo, pode entrar em contato pelo telefone 99632-2470. Tecidos para costura e alimentos também são bem-vindos.