Funcionários da Petrobras entram em greve por tempo indeterminado
A paralisação na Petrobras, que atinge todo o país, foi aprovada na última sexta-feira (12/12) e teve início à meia-noite desta segunda
atualizado
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Confirmando o que já haviam anunciado na semana passada, trabalhadores da Petrobras informaram, nesta segunda-feira (15/12), que entraram em greve por tempo indeterminado.
A paralisação, que atinge todo o país, foi aprovada na última sexta-feira (12/12) e teve início à meia-noite desta segunda.
A decisão de entrar em greve foi motivada pela falta de acordo entre funcionários e a direção da Petrobras, cuja contraproposta foi rechaçada pelos trabalhadores em meio às negociações sobre o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT)..
De acordo com o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), os 14 sindicatos da Federação Única dos Petroleiros (FUP) aderiram à paralisação, o que representaria cerca de 25 mil empregados e 61% das unidades da Petrobras.
Além disso, os sindicatos da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) corresponderiam a mais de 50 mil trabalhadores e 80% da extração de petróleo do país.
Apesar da greve, as operações da Petrobras não estão totalmente interrompidas neste momento. As unidades da companhia seguem funcionando com equipes reduzidas que, seguindo a empresa, são responsáveis pela manutenção da segurança e da produção essencial.
O que dizem os trabalhadores
Segundo os trabalhadores, a contraproposta apresentada pela Petrobras para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) foi “insuficiente”.
Entre os principais pontos que estavam em discussão, aparece a busca por uma solução negociada para os Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) da Petros – o que afeta diretamente a renda de aposentados e pensionistas.
Petros é a Fundação Petrobras de Seguridade Social, um fundo de pensão criado em 1970 pela Petrobras para gerenciar planos de aposentadoria complementar para seus empregados. Trata-se do segundo maior fundo de pensão do país.
Os trabalhadores também defendem o que chamam de aprimoramentos no plano de cargos e salários, além de garantias de recomposição sem aplicação de mecanismos de ajuste fiscal.
Em relação aos salários, os sindicatos criticaram o reajuste oferecido pela empresa, com reposição da inflação do período mais ganho real de 0,5%, somando 5,66%. Os trabalhadores querem 9,8%.
“É inadmissível que, após quase três anos de debates e de negociação com a FUP e as demais entidades que integram o Fórum em Defesa dos Participantes da Petros, a Petrobras não tenha formalizado até hoje o seu posicionamento em relação ao fim dos PEDs, apresentando uma proposta que resolva de uma vez por todas esse problema”, afirmou o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, na semana passada.
O que diz a Petrobras
Por meio de nota, a Petrobras afirmou que “adotou medidas de contingência para assegurar a continuidade das operações” e “que o abastecimento ao mercado está garantido”.
“A Petrobras segue empenhada em concluir a negociação do acordo na mesa de negociações com as entidades sindicais”, diz a empresa.
Na última semana, a Petrobras havia se pronunciado após trabalhadores do Sistema Petrobras aprovarem a greve nacional a partir desta segunda-feira. Segundo a estatal, a estatal respeita o direito de manifestação dos empregados e, em caso de necessidade, adotará medidas de contingência para a continuidade de suas atividades.
“A Petrobras mantém um canal de diálogo permanente com as entidades sindicais […] e tem participado regularmente de reuniões com as federações sindicais para discutir sua proposta e a pauta reivindicatória. A companhia apresentou uma nova proposta que contempla avanços para a categoria e espera concluir o novo acordo na mesa de negociações com as entidades sindicais”, informou a Petrobras, na ocasião.
