Zelensky vê oportunidade para a Ucrânia em guerra no Oriente Médio

De acordo com presidente ucraniano, país já ajuda cinco países do Oriente Médio a se defender dos ataques com drones do Irã

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1 de 1 volodymyr zelensky (6) - Foto: Tom Nicholson/Getty Images

Poucos dias antes do início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, Volodymyr Zelensky anunciou a reabertura de exportações de armas produzidas país que governa.

Agora, com a crise no Oriente Médio cada vez mais distante de uma solução diplomática, o líder ucraniano viu uma oportunidade de fazer negócios e buscar acordos que também beneficiem a Ucrânia — não só financeiramente, mas também diplomaticamente, já que as negociações sobre o conflito no Leste Europeu foram interrompidas desde o fim de fevereiro, quando a guerra no Irã explodiu. 


Ucrânia e seus drones

  • Logo nos primeiros meses da guerra com a Rússia, o governo da Ucrânia iniciou esforços para avançar na produção de drones. 
  • O objetivo era utilizar equipamentos com custos mais baratos, em comparação a armas tradicionais, no campo de batalha.
  • Desde então, dados do governo ucraniano apontam que mais de 500 empresas voltadas para a fabricação de drones e sistemas anti-drones foram abertas no país. 
  • O sucesso na experiência ucraniana com os veículos não-tripulados foi tamanha que, em 2024, as Forças Armadas da Ucrânia criaram um ramo responsável somente por combates com drones. A unidade se chama Forças de Sistemas Não Tripulados (USF). 
  • Além da defesa do próprio país, Zelensky enxergou nos drones uma oportunidade de tentar arrecadar fundos para a Ucrânia, por meio de exportações e parcerias comerciais no setor. A estimativa é de que a dívida pública externa ucraniana, impulsionada pelos gastos com a guerra, já tenha superado a casa dos US$ 115 bilhões. 

As exportações de armas ucranianas estavam suspensas desde 2022, quando a guerra no Leste Europeu começou. A medida, de acordo com o governo Zelensky, visava garantir que todos os esforços estivessem voltados para a defesa contra a Rússia.

Ao anunciar a liberação de licenças para alguns fabricantes de armas, em 8 de fevereiro, o presidente da Ucrânia ainda revelou a abertura de 10 centros de exportação de armamentos ucranianos pela Europa — incluindo uma instalação na Alemanha focada na produção dos equipamentos.

A experiência com veículos não tripulados, que ganharam papel central na guerra entre Ucrânia e Rússia, é o trunfo que Zelensky agora tenta negociar com países do Oriente Médio afetados por retaliações do Irã.

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Desde o início dos ataques dos EUA e Israel, o país persa tem utilizado drones para atacar instalações ligadas aos dois países na região. Os ataques se concentram, principalmente, em nações do Golfo Pérsico onde os norte-americanos mantêm bases militares.

Por isso, Zelensky decidiu enviar, na última semana, uma delegação ucraniana para negociações envolvendo países do Oriente Médio. O trâmite começou após um pedido do governo dos EUA, que recorreu a Ucrânia para a proteção e defesa contra os veículos não-tripulados do Irã.

Segundo o líder ucraniano, mais de 200 militares foram enviados para a região, liderados pelo secretário do Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Ucrânia, Rustem Umierov.  O objetivo, de acordo com Zelensky, é garantir não só a segurança do Oriente Médio, como também “ajudar a nossa defesa, principalmente a nossa defesa aérea”.

“Estamos prontos para ajudar aqueles que nos ajudam, que ajudam a Ucrânia”, disse Zelensky na última semana.

Nessa sexta-feira (20/3), o presidente ucraniano deu maiores detalhes sobre as negociações. Zelensky afirmou que a Ucrânia já trabalha com cinco países do Oriente Médio, que recebem avaliações especializadas e suporte na construção de sistemas de defesa. 

Além disso, ele revelou que existem pedidos dos EUA para “apoio especializado” em duas “áreas” na região. Os detalhes sobre as negociações, e quais países estão recebendo suporte de Kiev, ainda não são públicos.

Desejo antigo

Utilizar a experiência ucraniana com drones para arrecadar a verba necessária para manter a defesa do país, e até mesmo pensar em uma possível reconstrução da Ucrânia, não é uma ideia nova de Zelensky.

No início de 2025, o presidente ucraniano disse que a exportação de drones, e sistemas anti-drones, poderia ser uma vantagem econômica para seu país — principalmente depois de Trump praticamente cortar o financiamento que os EUA enviada para a Ucrânia.

Em outubro do último ano, o líder ucraniano sugeriu usar a tecnologia de veículos não-tripulados ucranianos como moeda de troca com os EUA. Na época, Zelensky pressionava a administração Trump por mísseis de longo alcance Tomahawk, que poderiam alcançar e serem utilizados em ataques retaliatórios contra o território da Rússia.

A “troca”, porém, não foi para frente apesar de o Pentágono ter sinalizado que Trump considerava enviar as armas para a Ucrânia. O recuo aconteceu após o presidente dos EUA conversar com seu homólogo russo, Vladimir Putin.

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