Inflação “empurrou” 71 milhões de pessoas para a pobreza, diz ONU

Relatório divulgado nesta quinta (7/7) revela cenário grave, especialmente em nações em desenvolvimento; Pnud pede reforços

atualizado 07/07/2022 15:43

Rafaela Felicciano/Metrópoles

A disparada no aumento dos preços está “empurrando” mais de 71 milhões de pessoas para a pobreza nos países em desenvolvimento, alertou o relatório publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) nesta quinta-feira (7/7).

Segundo levantamento da agência da Organização das Nações Unidas (ONU), a aceleração da pobreza tem efeitos “consideravelmente mais rápidos” do que o choque causado pela pandemia de Covid-19, e é impulsionada pelo aumento de preços em decorrência da Guerra na Ucrânia.

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Achim Steiner, administrador do Pnud, defendeu que, após a análise da situação de 159 países, o aumento dos preços das principais commodities este ano resulta em efeitos severos para países da África Subsaariana, dos Balcãs, e da Ásia.

“Esta crise do custo de vida está levando milhões de pessoas à pobreza e até mesmo à fome a uma velocidade de tirar o fôlego”, disse, em entrevista à Reuters. “Com isso, a ameaça de aumento da agitação social cresce a cada dia”.

Diante do contexto global, o relatório apresentado ressalta que as nações precisam do apoio do sistema multilateral para que as famílias consigam fechar as contas no fim do mês.

“Enquanto as taxas de juros aumentam em resposta à alta da inflação, existe o risco de desencadear uma nova onda de pobreza induzida pela recessão que exacerbará ainda mais a crise, acelerando e aprofundando a pobreza no mundo”, alerta o Pnud.

Na publicação, o a agência ilustra aumento acentuado dos preços globais das principais commodities energéticas no período avaliado — entre os meses de maio de 2021 e 2022.

O valor do gás natural apresentou a alta mais significativa: 166,8%. Na escalada de preços, o valor do petróleo WTI apresentou alta de 73,5%; o trigo 63,9%; e o óleo de girassol, 42,4%. O preço do milho cresceu 14,3%; enquanto o da gasolina subiu 82,5%.

Fome no mundo

Divulgado nessa quarta-feira (6/7), o relatório Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo produzido pela  Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) aponta que o número de pessoas afetadas pela fome no mundo foi de cerca de 150 milhões desde o início da pandemia de Covid-19.

A expectativa para os próximos anos não é positiva: o relatório projeta que, em 2030, 670 milhões de pessoas ainda enfrentarão a fome — cerca de 8% da população mundial —, deixando o mundo cada vez mais distante de acabar com a fome, o segundo Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

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