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A via W3 foi a primeira avenida inaugurada em Brasília. A longa rua cheia de comércio já esbanjou movimento, com lojas dos mais diversos tipos, como a tradicional Bibabô e a Pioneira da Borracha. Hoje, o cenário é um pouco diferente. Muitos locais estão fechados e o comerciantes se deslocaram para outros centros, como shoppings e feiras.

Além disso, a via enfrenta problemas estruturais: calçadas rachadas por raízes de árvores, violência no período da noite, goteiras nos prédios antigos, entre outros. Isso dificulta ainda mais a vida dos comerciantes que decidem persistir no local.

Dos restaurantes que se instalam na W3, muitos nem afirmam efetivamente funcionar. “A gente resiste” é uma das falas mais constantes. O Metrópoles selecionou alguns, entre a 502 e a 516 Sul. Veja:

 

Sabor Mil
Sob a hashtag #W3SulNãoPodeMorrer, Mayara Parente comanda as redes sociais da lanchonete e restaurante. Ela reclama: “As pessoas que moram aqui na frente não apoiam o comércio porque acham que a W3 acabou”.

Bobagem dos moradores, pois, na Sabor Mil, são servidas tapiocas doces e salgadas a partir de R$ 3; sanduíches e salgados a R$ 4; além de bolos e vitaminas. Tudo que compõe um café da manhã simples e clássico. Já o self-service, localizado no subsolo, oferece comida caseira a R$ 27,99 o quilo.

504 Sul, Bloco C, Loja 21. Segunda a sexta, das 8h às 18h

The Voice Brasília Karaoke
O ambiente não é bem um restaurante, mas um bar de karaokê separado em dois espaços. Um destinado à locação para eventos a partir de 50 pessoas e outro aberto ao público. Na sala privativa, há karaokê, camarote e pista; o local comporta cerca de 120 pessoas.

A sala coletiva também abriga 120 pessoas e possui karaokê. A casa tem um repertório de mais de 8 mil músicas e serve no menu petiscos, caldos, espetinhos, pratos executivos e sanduíches. Para beber, chope, cerveja, energético, uísque e vodca.

506 Sul, Bloco B, Loja 07, (61) 99306-1010. De segunda a quinta, das 20h à 1h. Sexta e sábado, das 20h às 2h

Vitamina Central 
Desde 1976, o Vitamina atrai o público saudável com suas diversas vitaminas e sucos batidos na hora, isso sem falar nos salgados assados. Clóvis de Carvalho, dono do empreendimento, diz que não tem motivos para reclamar: “O movimento continua, aqui se renova, temos tradição. Mas sei que sou privilegiado”. A lanchonete também trabalha com bolos, e, é claro, bebidas — a partir de R$ 6.

506 Sul, Bloco A, Loja 63, (61) 3244-2866. Segunda a sexta, das 7h às 20h. Sábado, das 7h às 12h30

Vinícius Santa Rosa/Metrópoles

As reclamações se concentram na estrutura, considerada precária

Estação 505 – Restaurante e Café
O ambiente do Estação 505 é simples e arrumado. Serve comida caseira em self-service a R$ 33,90 (quilo). Estão há nove anos ali. As reclamações se concentram na falta de estrutura das calçadas e dos prédios.

Fora isso, o dono comenta que o ponto é bom, pois, no começo da via, há comércio diversificado, com funcionários que enchem o restaurante na hora do almoço. A comida é honesta e caseira. Vale conferir!

505 Sul, Bloco A, Loja 31. Segunda a sábado, das 11h às 15h

Bonus Fast Food
Há cinco anos, o Bonus serve self-service a R$ 29,90 (quilo) e café da manhã simples de lanchonete, com salgados, sucos e sanduíches. Fazendo jus ao nome, a comida é rápida. Representa um dos tipos que predominam na W3: padarias e lanchonetes com serviços simples e preços parecidos.

505 Sul, Bloco C, Loja 33. Segunda a sexta, das 7h às 19h. Sábado, das 7h às 14h

Bar Brasília
Impossível falar em via W3 Sul (mesmo que, tecnicamente, fique virado para a W2) sem citar o Bar Brasília: a casa continua oferecendo um dos melhores chopes da capital, sempre gelado, a R$ 8,90. Focando o almoço, o Bar Brasília oferece pratos executivos de segunda a quinta, a partir de R$ 26,50. Também mantém os tradicionais do cardápio, como arroz de polvo e o filé Osvaldo Aranha. São 16 anos funcionando.

506 Sul, Bloco A, Loja 15. Segunda a sábado, das 11h30 à 0h. Domingo, das 11h30 às 16h

Casa do Pão
Cinquenta anos não são 50 dias. A Casa do Pão está em Brasília desde 1968, no mesmo local. Servem cafés da manhã com croissant, pastéis, sanduíches, broas e diversos pães recheados. Além disso, continuam fazendo fornecimento de itens de padaria para algumas empresas.

O ambiente encontrou outra maneira de se manter: dentro do local há um minimercado, com frios, iogurtes, sucos e biscoitos. “A W3 tem peculiaridades que são só daqui. Se tem trânsito, o movimento cai. As pessoas não querem parar”, afirma Lázaro Cândido, proprietário da Casa do Pão.

506 Sul, Bloco C, Loja 23. Segunda a sábado, das 6h15 às 20h. Domingo, das 6h30 às 19h30

 

Roma
Um dos símbolos de resistência da W3, o Roma tem 55 anos de atividade. Como o nome já sugere, a cozinha é típica do país da bota. Aqui, os pratos mais tradicionais são espaguete, filé-mignon, pizzas, a famosa parmegiana e até algumas adaptações mais brasileiras: filé de frango e de peixe com várias guarnições.

O belga Simon Pitel comanda a casa desde 1964, mas não foi ele quem deu o pontapé inicial: comprou o Roma de um italiano e decidiu manter o conceito da casa. “Na década de 1970, eu rezava pra conseguir fechar as portas e descansar. Hoje, a gente reza pra conseguir abrir. Eu sabia que a W3 iria decair, tudo muda”, afirma Simon Pitel.

511 Sul, Bloco B, Loja 61. Segunda a sábado, das 11h30 às 15h e das 18h30 à 0h. Domingo, das 11h30 às 17h

Rafaela Felicciano/Metrópoles

A revitalização ainda não saiu do papel

Revitalização
Existe um projeto de renovação da via, mas, por enquanto, não saiu do papel. A revitalização da W3, inclusive, fez parte das promessas de campanha do atual governador Rodrigo Rollemberg.

Empresários articulados com Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-DF) propuseram um projeto que revitalizaria a 511 e a 512 Sul, incluindo a W2, como uma ação-piloto. Seriam reorganizados os estacionamentos e becos, as fachadas teriam diretrizes para publicidades e as marquises seriam reavaliadas em relação à estrutura. Apesar de diversas reuniões terem sido realizadas com a comunidade e os lojistas, desde 2015, não houve mudanças práticas.

O primeiro declínio da W3 ocorreu nas décadas de 1970 e 1980, com o surgimento de outros centros comerciais nas entrequadras e o aparecimento de shoppings. Além das lojas, a W3 sofre com a ausência de dois pontos culturais importantíssimos: a Biblioteca Demonstrativa de Brasília e o Espaço Cultural Renato Russo.