Problemas cardíacos acendem “luz amarela” no mundo do futebol

De acordo com especialistas, não houve fator de ligação entre as últimas ocorrências com Biro Biro, Adilson, Joel e Casillas

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atualizado 21/07/2019 10:52

Recentemente, quatro jogadores de futebol apresentaram problemas cardíacos. Médicos especialistas opinam sobre o motivo de tantos registros em um intervalo de menos de três meses. A conclusão é de que há uma conjunção de fatores para explicar os problemas. Segundo os cardiologistas, não houve fator de ligação entre as ocorrências.

A evolução tecnológica da medicina, o desenvolvimento das máquinas para realização de exames, a obrigatoriedade de clubes profissionais realizarem check-ups periódicos e também o fato de os atletas terem uma vida profissional mais longeva são as principais causas.

O especialista em cardiologia e medicina do esporte, Nabil Ghorayeb, lembrou também que os casos não estão ligados entre si porque são doenças diferentes. “São coincidências que aconteceram em um curto espaço de tempo”, disse.

O mais recente que ganhou destaque foi o volante Biro Biro, do Botafogo. Há cerca de um ano o jogador corrigiu uma arritmia cardíaca, quando atuava pelo Shanghai Shenxin, da China. Pelo histórico, foi informado inicialmente que o desmaio ocorrido durante treino na última terça-feira aconteceu por problema no coração. “Não foi. Ele teve uma síncope vaso vagal por provável queda de pressão”, corrigiu Nabil.

No último dia 12, o volante Adílson, do Atlético-MG, concedeu entrevista coletiva para informar que iria se aposentar dos gramados por ter descoberto uma cardiomiopatia hipertrófica. “Cerca de 15% a 25% dos atletas podem desenvolver em algum grau o aumento do músculo do coração”, diz o cardiologista Otávio Rizzi Coelho, que coordena núcleo de pesquisa da Unicamp para investigar problemas cardíacos em atletas.

Nesse caso, ele informa que é necessário analisar que só o aumento (hipertrofia) não impede que um atleta continue a jogar. Mas tem que ser investigado se há a formação de fibrose. “Quanto mais fibrose, maior o risco de arritmia (distúrbio do ritmo cardíaco).”

Antes de Adílson, no dia 24 de junho, o atacante Joel, que pertence ao Cruzeiro, foi cortado da seleção de Camarões, após ser diagnosticado com uma anomalia na artéria coronária. Segundo Nabil, trata-se um problema que pode ser corrigido. “Ele nasceu com o coração diferente. As duas artérias saem de um lado só. Tem que operar para poder jogar depois”, afirmou.

Em maio, o goleiro espanhol Iker Casillas sofreu enfarte agudo no miocárdio. “Parece um contrassenso, mas o excesso de atividade física pode ser prejudicial. O atleta treina mais do que organismo está preparado e pode contribuir para a doença nas artérias do coração”, ensina Otavio.

Alerta
O Sindicato de Atletas Profissionais do Estado de São Paulo está atento aos problemas cardíacos com os jogadores. Os casos serão investigados para saber se houve alguma negligência. De acordo com o presidente do Sapesp, Rinaldo Martorelli, os últimos acontecimentos acenderam “uma luz amarela”. O sindicato conta com médicos parceiros que analisarão os problemas recentes

Além de apurar possível negligência, o objetivo é descobrir se os exames atuais são suficientes para os atletas. “Quando aparece algum caso, começamos a prestar mais atenção. Até então, sabemos que os clubes não têm problemas, os jogadores passam por exames médicos regularmente”, afirmou Martorelli.

Para os médicos do São Paulo e do Corinthians, os problemas recentes não ligam o sinal de alerta nos clubes. “Esse alerta já tenho desde que comecei na base do São Paulo, sempre levamos os atletas para avaliações. Sempre dei muita importância e me preocupei com isso”, disse José Sanchez, do clube tricolor.

Joaquim Grava, do Corinthians, tem o mesmo discurso. “É uma incidência muito pequena se olharmos para o número de atletas profissionais. Realizamos exames periódicos e monitoramos nossos atletas.”

O cardiologista Otávio Rizzi Coelho não acredita que a realização de mais exames sirvam para diminuir as ocorrências. “O que é feito no Brasil vem na mesma ideia das recomendações internacionais. É necessário ter um acompanhamento diário. O jogador tem que manter sempre conversa com os médicos. Dor no peito, falta de ar, tontura, desmaio, sensação de aceleração do coração são sintomas que precisam ser investigados”, finalizou.

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