“Difícil de administrar”, diz ex-técnico do Barcelona sobre Messi

Quique Setién afirmou que o craque argentino goza de um excesso de poder dentro do vestiário

atualizado 02/11/2020 11:43

Quique Setién BarcelonaAlex Caparros/Getty Images

Demitido do Barcelona depois de perder o Campeonato Espanhol passado e ser goleado pelo Bayern de Munique na Champions League, o técnico Quique Setién falou sobre algumas dificuldades que teve para gerenciar a equipe. E não poupou o comportamento do craque Lionel Messi.

“Leo [Messi] é difícil de administrar. Quem sou eu para mudá-lo! Se eles o aceitaram como ele é por anos e não o mudaram… Há outra faceta que não é o jogador e é mais complicada de gerenciar. Muito mais. Algo inerente a muitos atletas, como visto no documentário de Michael Jordan [The Last Dance]. Você vê coisas que não espera”, afirmou Setién em entrevista ao El País.

“Ele é muito reservado, mas faz você ver as coisas que ele quer”, continuou o treinador. “Ele não fala muito. Depois que eu saí, o que ficou claro é que em certos momentos tive que ter tomado outras decisões, mas tem uma coisa que está acima de você: o clube. E está acima do presidente, do jogador, do treinador. Existem milhões de pessoas que pensam que Messi, ou qualquer outro jogador, é mais importante do que o clube e o treinador. Este jogador, como outros ao seu redor, viveu 14 anos conquistando títulos, ganhando tudo”, disse.

“Isso é difícil quando alguém se acostumou a vencer. E quando uma ansiedade é gerada dentro de si mesmo, quando ele deixa de fazê-lo, o machuca. Na verdade, a demanda brutal que existe hoje no futebol está imbuída dele e de muitos outros que precisam vencer permanentemente”, explicou.

Setién foi também bastante filosófico para analisar a postura dos colegas em relação a Messi, e do argentino em relação à vida. “A perspectiva interna às vezes o engana. A realidade de que vivem não é a realidade de que outro vivem. Para eles, e para muitas pessoas, o que importa é vencer e todo o resto não vale a pena. Até que você saia do futebol e alguns anos se passem, você não vê claramente a realidade da vida. Você está interessado em suas próprias coisas, sempre recebe o feedback do mesmo grupo e essas são situações difíceis para eles. São crianças a quem damos tudo”.

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