Vocalista do Ira! critica esquerda após expulsar bolsonaristas de show
“Esquerda tradicional está muito bunda-mole”, disse Nasi em entrevista concedida meses após expulsar bolsonaristas de show em Contagem (MG)
atualizado
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O cantor Nasi, vocalista do Ira!, fez uma crítica à atual esquerda brasileira. Segundo ele, “a esquerda tradicional está muito bunda-mole”. “Dizem que são veganas, que andam de bicicleta, que são filiadas a partidos, mas na hora do ‘vamos ver’, não querem confusão.”
A declaração foi dada em entrevista ao Estadão, meses após a repercussão de um show em Contagem (MG) no qual o músico reagiu a vaias de parte do público ao gritar contra bolsonaristas. Ele destacou ainda que a direita atual, mesmo “vergonhosa”, tem sido mais combativa: “Eles entram na dividida.”
Na conversa, o artista afirmou também que o ex-presidente Jair Bolsonaro tentou um golpe de Estado com “requintes de assassinatos”.
“Ao que tudo indica, vai ser provado que ele e mais uns outros tentaram um golpe de Estado com requintes de assassinatos. É isso que o Ministério Público e a Polícia Federal apresentaram”, afirmou. “Ah, tentaram, mas não deram o golpe? Mas é lógico, senão nem eu estaria aqui. Teria sido preso, provavelmente!”
Críticas a bolsonaristas renderam prejuízo ao Ira!
A fala veio na esteira da polêmica provocada por Nasi durante uma apresentação em março. Em apoio aos gritos de “sem anistia” vindos da plateia, o vocalista criticou abertamente bolsonaristas e disse que não quer esse tipo de público nos shows do Ira!: “Tem gente que nos acompanha e é reacionário, é bolsonarista. Por favor, vão embora da nossa vida! […] Não apareçam mais”.
Após o episódio, quatro shows do grupo no Sul do País foram cancelados pela empresa local responsável. Nasi, no entanto, minimizou os impactos e disse que a pressão veio de “milícia digital”. “Fizeram um terrorismo com os contratantes. […] Eu sei de robôs, gente do outro lado do país, em Manaus, falando que não iria ao show (risos). Agora, o cara [produtor] foi cagão”, avaliou.
“Vários outros contratantes receberam essas ameaças, bancaram e tiveram sucesso. Porque nossos shows, desde o primeiro, estão lotados. Aqui em São Paulo, tivemos que abrir uma noite extra no Vibra. Quase 6 mil pessoas cabem lá. Então, quem for conservador, da direita democrática, eu não quebro relações por causa disso. A não ser que a pessoa seja uma besta fera, ofendendo com homofobia, racismo, pedindo volta da ditadura. Isso não é coisa de conservador, isso é coisa de reacionário. Mas eu não tenho como impedir também.”
Aos 63 anos, Nasi também promove seu novo trabalho solo, Solo Ma Non Troppo, já disponível nas plataformas digitais. O disco ao vivo revisita o repertório de Rocksoulblues (2024), com releituras de Tim Maia, Erasmo Carlos, Martinho da Vila, entre outros.






