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A excelência do Rock in Rio sempre foi uma questão a ser estudada pelo Lollapalooza, que chegou à sua sétima edição no último fim de semana. No Rio, os ingressos se esgotam antes mesmo do anúncio de todas as atrações de cada um dos sete dias. Já o Lolla suava para esgotar suas entradas. A partir de 2017, quando evento paulistano passou a incluir atrações “nível Rock in Rio”, tal qual o Metallica, o Lolla encontrou seu caminho. Esse sucesso repetido em 2018 com êxito, devido aos “nomões” que encabeçaram o lineup do festival, realizado novamente no desconfortável Autódromo de Interlagos.

Enquanto os mais ligados nas novas tendências da música reclamavam, o Lollapalooza Brasil entregou o que a grande maioria queria. De quebra, incluiu-se mais uma data, algo feito somente em uma das outras sete edições. Na época, o resultado foi bem abaixo do esperado. Desta vez, o Lolla optou pelo seguro. Trouxe de volta duas das atrações principais da edição de 2013 – Pearl Jam, headliner do sábado (24/3), e The Killers, incumbidos a encerrar a terceira e última noite de festival, nesse domingo (25). A terceira atração foi o Red Hot Chili Peppers, cuja última passagem pelo Brasil ocorreu em setembro do ano passado, como destaque do Rock in Rio.

O Lollapalooza não esconde nem teme essa “rockinriozação” pela qual o festival passa nos últimos anos. O que importa, no fim das contas, é o alcance e ter o tal sold out. Cada dia do Lollapalooza, de acordo com a organização, reuniu 100 mil pessoas – a Cidade do Rock, do Rio de Janeiro, comporta 80 mil, no máximo. Portanto, 300 millennials disseram, em alto e bom som, que os que desejam novidades talvez não entendam muito do showbiz.

Afinal, qual festival, em cinco anos, repete duas das três maiores atrações e é capaz de vender todos os bilhetes? Só o Rock in Rio, que aparenta ter uma lista de artistas headliners repetidos a cada dois anos. O esgotamento das três datas – com um público diário de 20 mil pessoas a mais do que no festival carioca – representa, em números, que o Lolla criou um ecossistema certo.

As atrações do domingo (25) comprovam essa teoria. Desde a primeira apresentação, às 11h45, com a banda brasileira Francisco, El Hombre, o público era maior e mais volumoso do que nos dias anteriores. Talvez fosse o impacto da banda, a qual tem uma música na novela das 21h da TV Globo, O Outro Lado do Paraíso, mas o que importa é que, mesmo diante de um horário ruim, debaixo do sol escaldante e com um termômetro marcando acima dos 30ºC, o grupo conseguiu fazer sua euforia repleta de consciência e dar início ao dia.

Artistas brasileiros, como Braza, Mahmundi e Tiê, todos com um pé no pop e donos de canções que poderiam tocar nas rádios – na verdade, Tiê e Mahmundi já estão. Na escalação dos artistas internacionais, o motivo é esse: colocar os ingressos para vender aos montes. Por isso, o domingo (25) teve Liam Gallagher, ex-vocalista do Oasis, considerado o maior cantor do rock and roll na segunda metade dos anos 2000. Sem a banda Beady Eye (a qual ele também abandonou), Gallagher apostou mais em clássicos do Oasis do que em faixas do seu disco solo para agradar quem estava lá em busca do seu sobrenome famoso e de sua história relevante nos anos 1990. Lana Del Rey também favoreceu o disco Born to Die (2012) e o maior sucesso de sua carreira, o álbum Lust for Life (2017).

O Lollapalooza deixa claro seu posicionamento com a inovação e sua escolha de colocar artistas mais vanguardistas em um horário mais cedo, quando o gramado ainda não está lotado, mesmo que os nomes estejam surfando a onda do sucesso, como The Neighbourhood, atração do palco principal, e Khalid, que trouxe soul e R&B para o palco Onix, ambos os shows ainda no meio da tarde. Inovação até existe, mas ela fica em segundo plano. É preciso garantir a lotação máxima.