Parasita: o filme sul-coreano que pode surpreender no Oscar 2020

Novo longa de Bong Joon-ho tem popularizado um dos grandes autores do cinema contemporâneo e promete causar na disputa pela estatueta

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atualizado 08/11/2019 20:25

Você já deve ter ouvido falar de Parasita, o filme do momento em praticamente qualquer lugar do mundo que tenha sala de cinema. O novo longa do diretor Bong Joon-ho acaba de estrear no Brasil com credenciais de favoritaço ao Oscar 2020 de melhor produção estrangeira – Dor e Glória, do espanhol Pedro Almodóvar, segue na cola. Pudera.

É o primeiro título da Coreia do Sul a vencer a Palma de Ouro no Festival de Cannes, o mais prestigiado e midiático entre os eventos de cinema autoral. Desde Azul É a Cor Mais Quente (2013) um longa não recebia voto unânime dos jurados do prêmio. Os nomeados à estatueta da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas saem em 13 de janeiro de 2020. O tapete vermelho se estende para a cerimônia em 7 de fevereiro.

A recepção crítica e a bilheteria (US$ 109 milhões no mundo até o começo de novembro) têm sido tão contundentes que não dá para descartar presença em outras categorias da premiação: melhor filme, roteiro original e direção, indicação que popularizaria ainda mais o nome de Bong Joon-ho. Com Parasita, o sul-coreano parece ter saído da “bolha” cinéfila e entrado na cultura pop.

Mas por que Parasita?

O próprio burburinho nas redes sociais ajuda a explicar o fenômeno em torno do filme. Joon-ho fez fama no meio alternativo e independente com fábulas sociais provocativas e comentários faiscantes sobre consumo, capitalismo, prazeres e ciladas da vida em sociedade.

Além da costumeira fluidez visual, ele adora fundir gêneros (comédia, suspense, terror, drama, crime) para deturpar expectativas sobre seus personagens. Parasita traz a luta de classes para uma perspectiva bem atual, com ênfase nos abismos e nas complexas relações entre elite e pobreza.

Uma família de desempregados aos poucos começa a se infiltrar na casa de ricaços. Um a um, literalmente. Invasão domiciliar? Nada disso. Ao que parece, eles estão lá para trabalhar. Até que uma descoberta aberrante remexe a aparente harmonia da mansão.

A trama consegue passear por suspense, comédia e até horror com uma elegância raríssima. Não por acaso, extrapolou as barreiras do nicho de filme de autor. Nos Estados Unidos, o desempenho no fim de semana de estreia representou recorde histórico de um longa estrangeiro, mesmo tendo sido lançado inicialmente em poucas salas.

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Carreira cultuada e de sucessos de bilheteria: Bong Joon-ho agora quer o Oscar
Conheça Bong Joon-ho

Aos 50 anos, o sul-coreano construiu carreira relativamente curta, mas potente. Da comédia de apartamentos Cão que Ladra Não Morde (2000) à investigação de um serial killer em Memórias de um Assassino (2003).

Antes de burilar mais uma instigante história de crime em Mother – A Busca pela Verdade (2009), dirigiu o título que costuma ser considerada sua obra-prima, o filme de monstro O Hospedeiro (2006). Joon-ho estreou no cinema de língua inglesa com Expresso do Amanhã (2013), distopia estrelada por Chris Evans, Tilda Swinton, Ed Harris e John Hurt, além de atores sul-coreanos.

Onde ver os outros filmes do diretor

Apesar de recepção e arrecadação expressivas, o diretor sofreu nas mãos do produtor e distribuidor Harvey Weinstein, hoje preso por dezenas de casos de assédio e abuso sexual. Ele adiou a estreia por exigir corte de 20 minutos e uma narração em off no final. O cineasta acabou ganhando a queda de braço, mas o atraso no lançamento teve impacto na bilheteria e na temporada de premiações.

Após a experiência ruim com Weinstein, o diretor se aliou à Netflix para realizar a fábula ambientalista e vegana Okja (2017). Com Jake Gyllenhaal, Paul Dano e novamente Swinton no elenco, o longa passou em Cannes e, ao lado de Os Meyerowitz (2017), marcou o rompimento entre plataforma e festival, até hoje não cicatrizado.

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