Cineasta lança plataforma para movimentar cena audiovisual de Brasília

A Janela 55 pretende abrir portas para quem está fora do mercado e aumentar a interação entre os profissionais do cinema da capital federal

atualizado 12/01/2019 15:25

JP Rodrigues/Especial para Metrópoles

Cineastas, atores, fotógrafos, câmeras, técnicos de som, produtores, entre outros. São muitas as profissões dentro do mercado cinematográfico que sofrem com a falta de oportunidades para se empregar em uma cena cada vez mais restrita. Pensando nisso, o brasiliense Paulo Ribeiro fundou a Janela 55, uma plataforma composta por apaixonados pela sétima arte, focada na divulgação de produções independentes e na promoção de cursos.

O primeiro passo, o canal no YouTube, foi lançado na última terça-feira (7/1), já com a inclusão de 10 curtas-metragens. De acordo com o ator e produtor cultural, a ideia surgiu após “amigos talentosos” e ele mesmo receberem diversas negativas. “É muito triste ver tanta gente desistindo do cinema, eu fiquei um tempo afastado até decidir que ninguém mais me diria o que posso ou não fazer”, salienta.

JP Rodrigues/Especial para Metrópoles
Paulo Ribeiro pretende aumentar a interação entre os profissionais de cinema de Brasília

 

Munido apenas da crença na importância do projeto, Paulo conseguiu convencer artistas da cidade a apostarem em seu plano, e deu certo. Cerca de 20 nomes importantes do cinema local, como André Carvalheira, Luciana Martuchelli, Sérgio Sartório, Carlos Del Pino, Chico Santana e Ricardo Pipo aceitaram se juntar ao Janela 55. “As pessoas compraram a iniciativa na hora, mesmo sem nenhuma garantia de retorno financeiro imediato. Acho que era um desejo interno delas também”, acredita.

“Quando Paulo me convidou para fazer parte dessa ação, me chamou atenção o valor dado ao formato de curta-metragem e, principalmente, ao fato de serem produções independentes, onde os cineastas têm muito mais liberdade criativa”, comenta Santiago Dellape, que cedeu ao canal Ratão, seu primeiro curta selecionado para o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em 2010. “Diferentemente dos longas, que geralmente acham espaço no circuito comercial, os curtas costumam encalhar. A plataforma vai dar nova vazão aos nossos produtos”, completa Dellape.

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Por enquanto, 10 curta-metragens independentes estão disponíveis na página oficial da plataforma no YouTube. “Exibimos todos em uma sessão no Cine Cultura e a resposta das pessoas foi linda, muito afetiva. Foi a garantia de que estamos no caminho certo”, afirma Paulo. Entre as produções, há também trabalhos de cineastas reconhecidos da capital federal, como Para Pedir Perdão, de Iberê Carvalho – diretor de O Último Cine Drive-In (2015).

Integra a lista de curtas disponíveis no canal,  Whatever You Want, de Leo Bentes; Pequena Fábula Urbana, de Jimi Figueiredo; O Amor é Lindo, de Rafael de Andrade; Carta da Esperança, de João Inácio; Crônicas de uma Cidade Inventada, de Luisa Caetano; O Último Dia de Sol, Nirton Venâncio; e Sushi, de Rafael Morbeck.

“Pretendemos, com a associação do YouTube e a plataforma, dar visibilidade a esses conteúdos. Estaremos lançando cada vez mais obras inéditas, além de outros serviços, à medida que o projeto se tornar sustentável e pudermos pagar pelos conteúdos”, explica Paulo.


Plataforma interativa
Paulo faz questão de ressaltar que o Janela 55 não servirá apenas para a produção audiovisual. O projeto irá além e atuará como canal de comunicação entre os agentes culturais da cidade. “Brasília se tornou um pólo do cinema, com várias produções nacionais sendo filmadas aqui. Mas muitos profissionais perdem oportunidades por desinformação”, considera.

Além das informações sobre seleções de atores, o Janela 55 terá oficinas de atores, fotografia e produção. “Será uma maneira de formar profissionais com pouca experiência e promover a interação deles com quem já está no cenário”, completa. Outra ferramenta que seguramente facilitará a vida dos cineastas é o sistema de inscrição em festivais ao redor do mundo. “Tudo está sendo pensado para atender às necessidades dos trabalhadores do audiovisual”, conclui.

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