Brasília: Life After Design é lembrete sobre contradições da capital

Dirigido pelo canadense Bart Simpson, filme ganha exibição no Canal Brasil nesta terça (25/06/2019), às 16h50, e está disponível on demand

atualizado 25/06/2019 10:23

Divulgação

Brasília: Life After Design, documentário do cineasta canadense Bart Simpson sobre a capital do Brasil, ganha sessão única no Canal Brasil nesta terça (25/06/2019), às 16h50. A obra também está disponível on demand. Produzido ao longo de mais de cinco anos pelo diretor estreante em longas, o filme é bom lembrete a respeito das contradições (humanas e urbanas) que pairam sobre sobre a jovem cidade.

Produtor conhecido por A Corporação (2003), Simpson deixa suas intenções claras já no título: em português, Vida Depois do Design. Em certo sentido, é como se ele quisesse entender o que deu certo e errado nas décadas após a concretização de uma utopia do concreto.

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Para tal, a narrativa se divide entre cenas meditativas pela cidade – não apenas nos cartões-postais e no centro do poder, mas também na periferia – e depoimentos de pessoas que experimentam, cada uma, uma Brasília diferente.

Brasília pelos brasilienses

Reais, os personagens guiam essa reflexão contida no título Vida Depois do Design. Quais vidas? Da moradora da periferia que trabalha no Plano Piloto e enfrenta, diariamente, as dificuldades crônicas do transporte público local à mulher de classe média que consegue aproveitar o que a cidade tem de melhor – os espaços abertos e as áreas arborizadas, como o Parque da Cidade.

O filme usa certos dispositivos didáticos – cartelas informativas – para situar plateias estrangeiras, certamente um dos públicos do filme. Isso talvez incomode o espectador habituado à história da capital. Das entrevistas com personalidades, chama a atenção uma conversa inédita de Simpson com o arquiteto Oscar Niemeyer, um registro bem anterior à produção do longa. A conversa parece sobrar na montagem, mas certamente funciona como um atrativo aos admiradores da obra do carioca.

Por outro lado, o doc coleciona acertos notáveis. Um deles é a maneira como Simpson e seu fotógrafo, o romeno radicado no Canadá Alex Margineau, conseguem externar visualmente um exame particular sobre a cidade que emolduram: um misto de admiração, respeito e estranheza.

Vida Depois de Design também consegue articular esse discurso pensativo e algo poético a respeito da capital por meio de uma abordagem natural com seus dois melhores personagens, sem forçar a barra: a artista Gabriela Bilá, que por meio de seu Novo Guia de Brasília sintetiza uma alternativa aos clichês de sempre sobre a cidade; e Willians, bem-humorado comerciante baiano que vende miniaturas da Catedral na Esplanada.

Avaliação: Bom

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