*
 

O Governo do Distrito Federal conseguiu esvaziar o plenário da Câmara Legislativa e, assim, evitar a derrubada do veto do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) ao Projeto de Lei n° 951/16, que institui eleições para administradores regionais.

Na reunião do Colégio de Líderes, ficou acertado que cada parlamentar poderia sugerir um veto do governador para análise. Chico Vigilante (PT), então, propôs votar a canetada de Rollemberg à proposta que prevê escolha popular para as administrações.

A matéria aprovada no fim do ano passado é de Vigilante. A intenção do governador, no entanto, é manter o veto para que a Câmara Legislativa vote – e aprove – proposta semelhante, mas elaborada pelo Palácio do Buriti. Rollemberg não quer ver, em ano eleitoral, uma promessa feita na campanha de 2014 ser viabilizada por meio de um projeto de lei redigido pela oposição.

Nesta quarta (25/4), quando os governistas perceberam que o veto de Rollemberg corria o risco de ser derrubado, o plenário foi esvaziado. A manobra foi precedida de protestos e trocas de acusações.

“Estou pedindo que o veto seja analisado porque ainda tenho dúvidas sobre a matéria. Não tenho medo de perder no voto. Perder ou ganhar faz parte do jogo da Casa”, justificou Cristiano Araújo.

Os argumentos não foram bem recebidos por Vigilante. “O que ele fez foi molecagem. O Cristiano estava no Colégio de Líderes e, sabendo do que seria votado, aqui não se manifestou. Daí, chegando no plenário, ele faz isso. É, no mínimo, covardia. Não vamos votar nada até que essa questão seja resolvida”, protestou o petista.

O que diz a proposta
O projeto vetado por Rollemberg prevê que, após votação popular, será constituída uma lista com os 10 candidatos mais bem posicionados. Em seguida, o governador nomeará um dos três aspirantes mais bem colocados na lista. Em caso de vacância, a nomeação do novo administrador deve recair em um dos remanescentes.

Para concorrer ao cargo, os candidatos deverão ter: idade mínima de 25 anos; residência fixa na localidade há mais de um ano; experiência profissional de, no mínimo, três anos; idoneidade moral e reputação ilibada; além de escolha mediante participação popular, entre outras exigências.
As eleições devem ser organizadas nos primeiros três meses do mandato do chefe do Executivo e terão validade por quatro anos.

Cooperativas
Antes da retirada do quórum, os deputados tiveram tempo para derrubar o veto do projeto que libera recursos para as cooperativas do transporte público, de autoria da deputada Celina Leão (PP).

Apesar do esforço dos parlamentares, um decreto do governador que já está em vigor destina as verbas para trabalhadores do transporte alternativo.