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Apadrinhado de Hélio José na SPU ameaça servidores da casa

Em novos áudios divulgados nesta sexta-feira (5/8), Francisco Nilo Gonsalves Júnior afirma que quem não for leal “estará procurando o caminho da saída”. Diálogos vazaram depois de o senador Hélio José ter sido flagrado se gabando de possuir poderes irrestritos na Secretaria do Patrimônio da União

Marcos Oliveira/Agência Senado
Leticia Carvalho
Manoela Alcântara
 

Após o senador Hélio José (PMDB-DF) ter sido flagrado se gabando de ter poderes irrestritos na Secretaria do Patrimônio da União, em uma reunião na qual o político comentava a indicação de Francisco Nilo Gonsalves Júnior para a superintendência da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), novos áudios do encontro vazaram nesta sexta-feira (5/6).

Nos diálogos, Nilo ameaça os servidores da SPU. “Aquele que for leal, eu serei leal. Agora, aquele que der bola nas costas, certamente, estará procurando o caminho da saída. Porque nós não estamos aqui pra abraçar o inimigo, pelo contrário, estamos aqui para construir”, afirmou. As conversas foram divulgadas pela TV Globo.

Na última quinta-feira (4), o Metrópoles noticiou o caso. Durante o encontro gravado na SPU, realizado na última terça-feira (2), o senador falava da nomeação do apadrinhado, o que despertou a oposição de alguns servidores.

Os funcionários do local se declararam insatisfeitos com a nomeação de Nilo por alegarem que ele seria dono de uma imobiliária particular — função que seria incompatível com as atividades do órgão federal.

Hélio não gostou de saber do posicionamento e afirmou que o descontentamento seria uma “armação” de Valéria Veloso Caetano Soares, superintendente substituta da SPU. “Isso aqui é nosso. Isso aqui eu ponho quem eu quiser. A melancia que eu quiser colocar”, argumentou o senador.

Na noite de quinta (4), a reportagem entrou em contato com Hélio e ele voltou a afirmar a posição. “Francisco nunca teve imobiliária. Deixei claro que o Nilo é indicação minha e que sou o responsável. É um cargo em comissão, que é de livre provimento, de livre nomeação. Foi isso e nada mais. A melancia foi uma força de expressão”, disse o senador.