Pesquisa: 65% das mulheres agredidas no DF não registraram ocorrência

Levantamento inédito produzido pela PCDF usou questionários respondidos por 32.713 mulheres que foram agredidas por seus companheiros

atualizado 10/03/2021 0:23

Alvos de ameaças, espancamentos e todo tipo de agressões, 32.713 mulheres do Distrito Federal participaram de um levantamento inédito feito pela Polícia Civil (PCDF). As vítimas responderam questionários de avalição de risco que são preenchidos logo após pedirem medidas protetivas contra seus agressores. O estudo revelou números preocupantes, como o fato de 65,6% das mulheres participantes jamais terem registrado ocorrência policial ou requisitado a aplicação das medidas em desfavor dos algozes.

Com a produção do relatório, obtido em primeira mão pelo Metrópoles, a PCDF poderá traçar estratégias a serem usadas no combate aos crimes e no atendimento de vítimas em casos de violência doméstica. Foi possível identificar que 47,3% das mulheres moram junto com o autor da violência e 62,9 % delas têm filhos.

Após responderem às perguntas da avaliação de risco, as vítimas anda informaram que 63,5 % delas se separaram recentemente dos agressores ou têm intenção. Outro ponto que chamou atenção nos números é o fato de 80,6 % das mulheres não se consideram dependentes financeiramente dos abusadores.

Veja os resultados da pesquisa:

Ameaças de Morte

Sobre as características dos crimes, principalmente em relação ao cenário das agressões, 66,8% das mulheres responderam que a violência física ou ameaças se tornaram mais frequentes ou mais graves com o passar dos anos. O percentual de 52,7% das 32.713 vítimas dos crimes revelaram, ainda, que sofreram ameaças de morte mais de uma vez.

Segundo a diretora da Divisão de Análise Técnica e Estatística (Date) da PCDF, delegada Mariana Almeida, os questionários se transformaram num relatório minucioso que poderá render frutos. “São números que ainda não tínhamos. As informações são muito importantes para embasar trabalhos futuros, pois refletem as respostas das mulheres atingidas por esse tipo de crime”, disse.

Sobre o perfil dos autores relatado pelas vítimas, chegou-se a conclusão que 66% dos agressores são companheiro ou ex das vítimas. Outros 85% fazem uso abusivo de álcool, drogas ou medicamentos, e 21,4% possuem acesso a arma de fogo.

Operação Resguardo 

Coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria de Operações Integradas (Seopi/MJSP), a Polícia Civil do DF e dos 26 estados da Federação deflagraram nesta segunda-feira (8/3) a Operação Resguardo, maior ação de combate a crimes de violência contra a mulher e de crimes contra a dignidade sexual no Brasil.

A operação integrada teve início em 1º de janeiro em todo território nacional, e foi finalizada em 8 de março, Dia Internacional da Mulher. No período, a PCDF registrou 3.562 ocorrências, apurou 524 denúncias feias pelo número do 197 e de órgãos externos, além de instaurar 3.440 inquéritos.

Ainda foram confeccionados 212 Termos Circunstanciados e cumpridos 54 mandados de prisão e 38 mandados de busca e apreensão. A ofensiva requereu ainda 2.799 medidas protetivas, que resultaram no atendimento de mais de 3 mil mulheres vítimas de violência. Ao todo, 812 agressores em todo Distrito Federal foram presos, sendo 759 em flagrante delito.

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