MPF pede à Justiça para manter advogado Willer Tomaz preso
Ele é suspeito de interferir na negociação de colaboração premiada do empresário Joesley Batista com intuito de proteger parceiros políticos

O Ministério Público Federal (MPF) defendeu no Superior Tribunal de Justiça (STJ) a manutenção da prisão preventiva do advogado Willer Tomaz de Souza, suspeito de ter interferido na negociação de colaboração premiada do empresário Joesley Batista, do grupo JBS, com o intuito de proteger parceiros políticos, em prejuízo ao andamento das investigações das operações Lava Jato e Greenfield.
De acordo com o MPF, Willer Tomaz usou de sua relação com o procurador da República Ângelo Goulart Villela, integrante da força-tarefa da Greenfield, para obter informações sigilosas sobre a operação e repassar a seus clientes. Ângelo chegou a gravar ilegalmente depoimentos prestados por colaboradores da Justiça. Pelas informações apuradas, o advogado pagava R$ 50 mil mensais ao procurador. Os dois estão presos no Batalhão da Polícia Militar na Penitenciária da Papuda
No entendimento do subprocurador-geral da República Rogério de Paiva Navarro, ainda que Willer Tomaz tenha bons antecedentes, residência fixa e seja réu primário, sua liberdade causaria transtorno à ordem social.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFA relação entre o advogado e o procurador “não se tratava de mera casualidade ou amizade destituída do interesse na obtenção de vantagens ilícitas, mas estava calcada em um vínculo permanente, prévio e forte, a ponto de Willer Tomaz deter informações acerca de atos futuros do senhor procurador-geral da República
Procurador Rogério de Paiva Navarro

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Ver todasSegundo Rogério de Paiva Navarro, a revogação da prisão preventiva colocaria em risco a colaboração premiada, que é um importante instrumento da investigação criminal. “É absolutamente imprescindível que depoentes se sintam tranquilos quanto ao ambiente de lisura e de sigilo no qual se desenvolvem as oitivas e tratativas para futuras delações”, argumenta o subprocurador.
Apesar de a defesa requerer a substituição da prisão preventiva por outras medidas cautelares, o MPF entende que “a decisão está lastreada em oitivas, documentos, gravações e escutas ambientais” suficientes para a manutenção da medida restritiva. Na ação penal, Willer Tomaz foi denunciado pelos crimes de formação quadrilha, corrupção ativa, violação de sigilo e obstrução à investigação de organização criminosa.
Histórico
O advogado é de origem humilde, mas acumulou, em apenas nove anos de exercício profissional, um notável patrimônio. E ele não faz questão alguma de esconder seus “brinquedos” de luxo, conforme revelou o Metrópoles.
Confira imagens do advogado Willer Tomaz e de seu complexo de lazer:
Willer Tomaz de Souza foi preso em 18 de maio por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 30 de maio, reconhecida a falta de competência originária da Suprema Corte, o caso foi remetido ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), que confirmou a necessidade de prisão preventiva do investigado.
Contra essa decisão, a defesa do advogado apresentou habeas corpus ao STJ, afirmando não haver no processo elementos fático-jurídicos que justificassem a prisão cautelar de Willer. Em decisão monocrática de 26 de junho, o ministro Rogério Schietti, relator do caso, negou o HC e enviou o processo para manifestação do Ministério Público Federal.
No parecer, o MPF defende o não conhecimento do habeas corpus pelo STJ, por se tratar de um instrumento processual substitutivo do recurso adequado. Caso o mérito seja discutido, Navarro opina pela não concessão do HC. O caso deve ser apreciado em breve pela 6ª Turma da Corte Superior.



























