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Flagrado agredindo mulheres, advogado do DF já responde por injúria racial

Cledmylson Lhayr Feydit Ferreira também foi violento com outras mulheres no Sudoeste e responde por por injúria racial e lesão corporal

atualizado

CLEDMYLSON LHAYR FEYDIT FERREIRA

O advogado flagrado agredindo e derrubando uma mulher no Sudoeste,  nessa segunda-feira (20/3), coleciona problemas com a vizinhança e investigações na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Cledmylson Lhayr Feydit Ferreira, 60 anos, foi violento com outras moradoras da área nobre do Distrito Federal.

Em novembro de 2022, as vítimas registraram um boletim de ocorrência das agressões do homem, que responde por injúria racial e lesão corporal. O Metrópoles teve acesso ao documento que também detalha um discurso homofóbico e misógino adotado pelo advogado.

Veja vídeos:

De acordo com o relato das vítimas, o cachorro do advogado, batizado de Pipoca, estava solto, sem guia e sem nenhum responsável no gramado da quadra 2, do Sudoeste. O cão da raça Coton Tulear é conhecido na região por ter um comportamento agressivo. “Ele ficava rosnando para os outros cachorros”, disse uma das testemunhas que preferiu não se identificar. Neste dia, havia um grupo com quatro pessoas no local. Segundo a vítima, o advogado chegou com o carro e acusou o grupo de tentar roubar o Pipoca. Uma das pessoas informou ao homem que o animal estava sem coleira e poderia ser atropelado ou ser ferido por outro cachorro, de grande porte.

“Nesse momento ele soltou um palavrão e a partir daí foi adotando uma postura mais agressiva”, relatou a advogada Tuanne Costa, 40 anos. Com o celular em mãos,  Cledmylson disse que Tuanne era uma “foragida e criminosa do Rio de Janeiro”. No boletim de ocorrência, as vítimas também registraram que ele teria dito à Tuanne que ela “é bandida porque é negra”.

Para outra vítima, Cledmylson teria feito menções a relações sexuais. “Acho que ele queria nos constranger dizendo coisas desconexas”, diz. No boletim, a declaração apresentada por ele é: “Eu transei com você a noite toda e vou mostrar sua cara”. O advogado teria, ainda, questionado a paternidade de uma outra vítima no local. “Ele ficava dizendo que era meu pai para dar a entender que minha mãe é uma qualquer”, relatou a advogada Marina Veras. O agressor teria feito menção a um discurso homofóbico,  dizendo que duas vítimas no local seriam um casal e, para Marina, dirigiu-se como “a machona da relação”.

Em meio à agressão verbal, o homem desceu do carro e tentou tomar o celular de uma das mulheres, como é possível ver no vídeo. A partir deste momento, as vítimas relatam que ele tentou estrangular uma delas, que a derrubou no chão e foi para cima, na intenção de chutá-la. Ele foi impedido de dar o pontapé por um amigo das mulheres, que presenciou a briga. “Ele só respeita homens. Para as mulheres ficou crescendo, quando chegou um homem alto, ele entrou no carro e foi embora”, disse Tuanne.

As vítimas contam que mudaram a rotina desde então. “Eu tenho medo de ficar sozinha, não faço mais o mesmo caminho a pé e sozinha, evito comércio próximo à casa dele. Tenho medo do que pode fazer comigo”‘, disse uma das vítimas, que preferiu não se identificar.

O gramado onde ocorreu a confusão é uma área conhecida do Sudoeste pelos donos de pet para passear com os animais de estimação. Há inclusive um grupo no WhatsApp com o nome Gramadão com os principais passeadores. “Quando alguém via o Pipoca sozinho, já avisava porque sabíamos que ele chegaria em algum momento e seria outro episódio traumático”, acrescentou a vítima.

O caso está registrado na Delegacia de Atendimento Especial à Mulher (Deam), da Asa Sul.

OAB suspensa

Nesta terça-feira (21/3), a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do Distrito Federal (OAB-DF) informou que suspendeu, pelo prazo de 90 dias, a carteira profissional de Cledmylson Ferreira, advogado que agrediu com socos e derrubou uma mulher no Sudoeste (DF), nessa segunda-feira (20/3).

A decisão é do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-DF. O colegiado também abriu processo disciplinar, com ampla defesa, que pode culminar na expulsão do advogado. Sem a carteira da OAB-DF, ele não pode exercer a profissão.

“A OAB-DF irá instaurar imediatamente o processo de suspensão preventiva desse profissional, assim como procederá processo de inidoneidade moral que pode culminar na expulsão do profissional dos quadros da advocacia brasiliense”, afirmou o presidente do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-DF, Antonio Alberto Cerqueira.

Veja o vídeo gravado por ele:

Cledmylson Ferreira foi flagrado batendo na advogada Giselle Piza, 39 anos. A vítima afirmou que o agressor estava com o cachorro solto e ela, que é dona de um shih-tzu, alertou o homem sobre o risco de ocorrer um ataque, já que o pet dele é bem maior e estava sem focinheira.

Cledmylson tentou fugir, e Giselle pegou o celular para fotografar a placa do carro dele. Ao ver que a mulher estava gravando, o advogado tomou o celular das mãos de Giselle e a agrediu.

Veja imagens da agressão:

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“Fiquei em estado de choque. Eu cheguei a alertá-lo que o cachorro dele tinha que estar com guia e com focinheira. Jamais imaginei que isso acabaria assim, com tanta violência”, disse Giselle. O advogado foi preso.

Repúdio

A Comissão da Mulher Advogada da OAB-DF emitiu nota contra o ataque ocorrido, na qual manifesta o “mais profundo repúdio às agressões sofridas pela advogada Gizelle Piza, bem como toda nossa solidariedade a ela”.

“Gizelle Piza foi vítima de desrespeito e de agressões físicas em 20 de março de 2023. A atitude do agressor é misógina e covarde. Não toleramos qualquer tipo de violência contra as mulheres”, afirmou.

“Acompanharemos a investigação do caso e a punição necessária, dentro das nossas competências e possibilidades, sendo observados o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório”, disse.






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