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Entre os 21 indiciados pela Polícia Federal na Operação Panatenaico, está o empresário Fernando Márcio Queiroz, dono da Via Engenharia. Segundo o relatório final encaminhado à 10ª Vara da Justiça Federal no Distrito Federal na sexta-feira (18/8), Queiroz frustrou, por meio de fraude, o caráter competitivo de concorrência da Novacap, fraudou o contrato de reforma do Mané Garrincha, ofereceu e prometeu vantagem indevida a funcionário público.

Para a PF, o consórcio formado pelas construtoras Via Engenharia e Andrade Gutierrez foi favorecido por informações privilegiadas e teria agido em conluio com agentes públicos.

É atribuído a Fernando Queiroz ainda a combinação de pagamento de propina ao ex-governador José Roberto Arruda (PR). O empresário teria acertado com o político que 1% da verba destinada à reforma da arena esportiva seria repassado ao então chefe do Executivo do Distrito Federal. A combinação, ainda de acordo com a PF, se deu em 2009, seguiu em 2010 e, em 2013, ao ser cobrado por um homem de confiança de Arruda, Queiroz teria autorizado outros repasses.

O relatório traz ainda informações que “comprovariam o vínculo” entre o empresário, Arruda, o também ex-governador Agnelo Queiroz (PT) e o ex-vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB). A polícia encontrou no celular do peemedebista o telefone celular de Fernando Queiroz, enquanto que no aparelho do empresário havia os contatos de Agnelo e de Filippelli.

Em 23 de maio deste ano, o empresário chegou a ser preso quando foi deflagrada a Operação Panatenaico. Para a Polícia Federal, Queiroz cometeu os crimes de fraude licitatória, peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Procurada pela reportagem, a Via Engenharia informou que “está colaborando com as autoridades, prestando todas as informações sobre sua participação no consórcio”.

Panatenaico
A operação apura a suspeita de fraude e desvio de recursos públicos em obras de reforma do Estádio Nacional Mané Garrincha para a Copa do Mundo de 2014. Orçada em R$ 600 milhões, a arena brasiliense custou mais de R$ 1,5 bilhão. As investigações decorrem das delações de ex-executivos da Andrade Gutierrez.