Ensanguentada, criança gritou pela mãe morta em atropelamento no DF

Aline Santos Silva e a filha de 2 anos e 11 meses foram atingidas por um ônibus escolar no Núcleo Bandeirante nessa terça-feira (07/05/2019)

Material cedido ao MetrópolesMaterial cedido ao Metrópoles

atualizado 09/05/2019 7:33

“Nem acreditei, a ficha foi caindo depois”. O desabafo é de Alex Santos, vendedor de 27 anos e irmão de Aline Santos Silva, 30 (foto em destaque), atropelada e morta na tarde dessa terça-feira (07/05/2019). O acidente ocorreu em frente à Paróquia São João Bosco, no Núcleo Bandeirante.

Aline retornava do trabalho, como doméstica, e havia buscado a filha de 2 anos e 11 meses na creche. As duas seguiam para casa e passavam por uma rua na Terceira Avenida da cidade quando foram atingidas por um ônibus escolar.

Equipes do Corpo de Bombeiros tentaram reanimar Aline, que apresentava parada cardiorrespiratória, mas ela não resistiu aos ferimentos. Já a menina está internada no Hospital de Base do DF. Conforme informado pela família, ela quebrou duas costelas, mas não corre risco de morte.

Um vídeo feito por moradores da região mostra bombeiros tentando reanimar Aline.

Veja:

Testemunha
Relatos de testemunhas no local indicam que a criança ainda tentou se levantar e gritava “mamãe”, sendo, em seguida, socorrida por populares. Renata Alencar, 33, presenciou a cena e descreveu os instantes após o atropelamento.

Ela [criança] se debatia muito. Tentei segurá-la e pegá-la no colo até os bombeiros chegarem. Chorava demais por causa da dor e chamava pela mãe. Minha blusa ficou toda suja de sangue, porque ela ficava tentando puxar

Renata Alencar, testemunha do acidente

A mulher diz, ainda, ter visitado a menina no Hospital de Base. “Teve traumatismo craniano leve e fraturas, mas está bem. Só tem 2 anos, então, não tem noção do que aconteceu.”

O Instituto de Criminalística (IC), da Polícia Civil, periciou o ônibus e o local do acidente. Em cerca de 30 dias o laudo deve indicar as causas da tragédia. No momento do atropelamento, o veículo estava cheio de estudantes da rede pública de ensino, mas nenhum passageiro ficou ferido.

Curva perigosa
O acidente ocorreu em uma curva. O tapume em volta da 11ª Delegacia de Polícia (Núcleo Bandeirante), segundo os moradores, atrapalha a visão de quem quer atravessar. Não há faixa de pedestres no local. Após a tragédia, a cerca começou a ser retirada.

Luísa Guimarães / Metrópoles

Agora, a maior preocupação dos familiares é com a saúde da menina, que segue internada. “Aline amava muito a filha”, conta o tio da vítima Manoel de Castro, 37. Parentes se dirigiram ao Instituto Médico Legal (IML) na manhã desta quarta-feira (08/05/2019) a fim de acompanhar a liberação do corpo e organizar os trâmites do sepultamento.

O companheiro de Aline e pai da criança, Anatolio Monteiro da Silva, acompanha a filha no Hospital de Base. “Estou desolado, fica chamando pela mãe, mas está reagindo bem ao tratamento”, desabafou. A mãe da vítima estava no Ceará no momento em que soube do acidente e deve chegar a Brasília nesta quarta-feira (08/05/2019). Humilde, ela comprou as passagens com auxílio financeiro de amigos.

Depoimento de motorista
Em depoimento à PCDF, o motorista do ônibus escolar envolvido no acidente, Robson Gonçalves da Silva, de 47 anos, alegou não ter visualizado as vítimas no perímetro da calçada. Ao terminar a manobra, teria escutado um solavanco na roda traseira direita e constatou, pelo retrovisor, que a mulher estava caída, “de barriga” no chão.

“É difícil saber agora quem está certo ou errado. Só a perícia vai dizer”, contou o motorista. “É uma vida que se foi. Essa é a primeira coisa a se lamentar.”

Robson também contou que um passageiro, de 17 anos, disse a ele que “um carro branco que fazia a curva teria atropelado as vítimas antes do impacto com o ônibus

Ainda conforme a citação do relato do adolescente que consta no depoimento do motorista, o atropelamento teria ocorrido no instante em que a filha se desprendeu da mão de Aline e correu para a rua. Tentando impedir, a mulher teria se jogado na via e foi atingida pelo carro branco, sendo projetada para a roda traseira do ônibus.

Por fim, o motorista se disse perplexo e assustado, e “que nunca teve a intenção de tirar a vida de ninguém”. Já outra testemunha afirmou ao Metrópoles não ter visto nenhum carro e que Aline segurava a filha no colo.

De acordo com o chefe da 11ª Delegacia de Polícia (Núcleo Bandeirante), Rafael Bernardino, o inquérito policial foi instaurado e mais informações só serão repassadas após o fim das investigações.

Luto
Aline trabalhava como doméstica e era muito dedicada à família. Estudiosa e trabalhadora, teria chegado a começar o curso de direito, mas não finalizou. Ela morava com a filha, com o companheiro e os sogros.

Com dificuldades financeiras, os parentes pedem ajuda para custearem o enterro de Aline. “A dificuldade financeira é muito grande, estamos dependendo de pessoas próximas para o sepultamento e passagem de volta da mãe dela”, expõe o cunhado.

Amigos se mobilizaram para a arrecadação. Qualquer quantia pode ser depositada na conta do pai da criança:

Dados bancários do pai da criança:
Caixa Econômica Federal.
Ag:0688
Op:013
Conta:00018321-4
Anatolio Monteiro da Silva Neto Paiva.
CPF:111.817.696-04

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