Deficitária, CEB Distribuição recebe aporte de R$ 94 milhões

BRB bancou R$ 24 milhões, na modalidade Cédula de Crédito Bancário. Os outros R$ 70 milhões serão financiados pelo China Construction Bank

atualizado 30/12/2019 21:16

Vinícius Santa Rosa/Metrópoles

A Companhia Energética de Brasília (CEB) assinou dois contratos de operações de crédito, somando R$ 94 milhões. A captação dos recursos, formalizada com o Banco Regional de Brasília (BRB) e o China Construction Bank (CCB) – um dos quatro maiores bancos da República Popular da China – nesta segunda-feira (30/12/2019), tem como objetivo melhorar as condições econômico-financeiras da empresa e se destina ao aporte de capital junto à subsidiária CEB Distribuição S/A.

Para conseguir os recursos com melhores taxas e condições, a concessionária tentou negociações com diversas instituições financeiras. A CEB Holding formalizou a captação de recursos de R$ 24 milhões, na modalidade Cédula de Crédito Bancário, junto ao BRB, com a remuneração para a instituição financeira de CDI + 4,0% e taxa de estruturação de 0,5% sobre o valor total da operação.

Com o China Construction Bank (CCB), o montante captado totalizou R$ 70 milhões, com remuneração para banco chinês de fomento de CDI + 3,9 %, e taxa de estruturação de 0,6% sobre o valor total da operação.

De acordo com a CEB, o endividamento da subsidiária até março de 2019, quando houve a última divulgação dos dados financeiros, é de R$ 1,1 bilhão. Do total, R$ 240,5 milhões referem-se a empréstimos e financiamentos, e R$ 246,8 milhões dizem respeito a debêntures, títulos de dívida emitidos para captação de recursos.

Diante do quadro deficitário, a empresa será privatizada em 2020. O Governo do Distrito Federal calcula que vai arrecadar cerca de R$ 2,2 bilhões com a privatização da CEB Distribuição, uma subsidiária da Companhia Energética de Brasília.

O valor estimado pode ser alterado após a conclusão de estudos que vão orientar o processo de desestatização. Em agosto, o Executivo local assinou contrato com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para elaboração do modelo de venda da empresa.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acompanha a situação financeira da CEB. “Existe cláusula no contrato de concessão renovado em 2015 a qual prevê, no caso de a distribuidora não cumprir metas de qualidade ou financeiras por dois anos consecutivos, suspensão da concessão, respeitando-se o amplo direito de defesa”, informou a agência.

Eficiência

“A captação de recursos foi estruturada com muito cuidado para a execução do plano de negócios da CEB nos próximos anos”, explicou o diretor financeiro e de gestão de riscos da CEB Distribuição S/A, Armando Casado. “Demos um passo importante para conduzir a CEB-D a um futuro de mais eficiência na prestação de serviços e atendimento à comunidade.”

O diretor-presidente do BRB, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, lembrou que o banco, ao realizar esse aporte na CEB, cumpre sua função institucional. “O BRB tem como uma de suas missões apoiar políticas públicas e o fomento de empresas do Distrito Federal e Centro-Oeste, e espera colaborar com a Companhia Energética de Brasília para que a prestação de seus serviços beneficie toda a nossa sociedade”, resumiu.

Bons resultados

“Este ano conseguimos avançar em pontos cruciais para a CEB”, avaliou o presidente da CEB, Edison Garcia.

“No terceiro trimestre, tivemos uma melhora significativa nos resultados da companhia. Com a assinatura do novo Acordo Coletivo de Trabalho, conseguimos reduzir os gastos com pessoal e temos realizado economia importante nos custos operacionais dos novos contratos de fornecimento de material e serviços. Com o aporte firmado hoje na CEB-D, teremos a certeza da melhoria da sua situação econômico-financeira, o que resultará na redução de endividamento e a possibilidade de realizar, em 2020, investimentos para a sociedade”. Com informações da CEB

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