Aos mestres, com carinho. No Dia dos Professores, uma homenagem aos 113 mortos pela Covid

Familiares sentem diariamente à ausência dos entes que perderam suas vidas. Conheça alguns deles e os ensinamentos além da sala de aula

atualizado 16/10/2021 6:00

Arte/Yanka Romão/Metrópoles

O Dia do Professor, comemorado na última sexta-feira (15/10), trouxe à categoria neste ano um novo sentimento, além da alegria e do orgulho de ensinar. A saudade dos 113 educadores que tiveram as vidas perdidas pela Covid-19 permearam a data.

Os número são uma soma do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), onde constatou 89 mortes na rede pública, e do Sindicato dos Professores em Estabelecimentos Particulares de Ensino (Sinproep), onde foram contabilizados 24 óbitos na rede privada.

O sentimento de luto ainda é intenso entre os familiares, que sentem diariamente à ausência dos entes queridos. O Metrópoles apresenta alguns deles e os ensinamentos que foram capazes de transmitir além da sala de aula.

“Uma pessoa maravilhosa”. Assim define Fernando Silva Rossi, 55, a esposa Claudete dos Reis Rossi, vítima do coronavírus em pleno Dia das Mães, aos 48 anos. Além de professora, Claudete ocupava o cargo de vice-diretora da Escola Classe 01 do Incra 08, em Brazlândia.

“Éramos casados há três anos. Uma esposa maravilhosa, ela levantava cedo e levava nossa filha para a escola onde ela também trabalhava. Uma pessoa cuidadosa”, destacou Fernando.

Após cinco meses do falecimento, a ausência ainda é grande. “Está muito difícil. Pegamos Covid juntos e ficamos internados, mas ela não resistiu”, relembra. “Acordo por volta de duas vezes na semana durante a madrugada chorando”, comenta o viúvo.

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Algo que era a paixão da mãe tem sido o ponto de força do estudante Eduardo Henrique Ferreira Rocha, 24, para superar a partida da professora Maria da Penha Ferreira Rocha, aos 55 anos.

Penha, como era conhecida pelos alunos, morreu no dia 22 de agosto no Hospital Santa Lúcia, vítima de sequelas da Covid-19. Ela era professora de atividades no CEI 304 do Recanto das Emas.

“Ela gostava bastante dos alunos, apaixonada pelo o que ela fazia. Os professores gostavam bastante dela também”, cita Eduardo. “Quando era dia de passeio o pessoal ficava alegre, querendo que ela fosse junto. As apresentações era ela quem coordenava. Um pessoa bem carinhosa com alunos, bem calma”

“Ela me ensinou muito sobre a educação, de gostar de viver e de não se apegar nas coisas materiais”, recorda o filho. Às vésperas da volta as aulas, Penha pediu para o filho gravasse um vídeo com orientações e carinho aos alunos.

Assista a um dos últimos registros da professora:

Atualmente, mais de 602 mil pessoas morreram em decorrências da Covid-19 no Brasil. No Distrito Federal, a marca ultrapassa os 10 mil registros.

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