“Ainda é pouco”, diz pai de Rhuan sobre condenação de assassinas

Maycon Douglas Lima de Castro disse estar muito abalado pelos acontecimentos e quer que ex-mulher e companheira dela paguem pelo crime

atualizado 25/11/2020 23:11

Imagem cedida ao Metrópoles

Maycon Douglas Lima de Castro, pai de Rhuan Maycon da Silva Castro, diz que a família ainda está profundamente afetada pelo assassinato da criança, morta em maio do ano passado pela mãe do menino e a companheira dela.

“É bem complicado. Sempre estamos relembrando… É como um filme tudo isso”, lamentou o homem, que mora no Acre, em entrevista ao Metrópoles. “Só de lembrar [dele] já fico sem palavras. Não tem outra forma, senão trabalhar e sobreviver com a dor”, destacou.

Ao longo desta quarta-feira (25/11), ele aguardou com expectativa o fim do julgamento da ex-mulher, Rosana Auri da Silva Cândido, e da companheira dela, Kacyla Priscyla Santiago. As duas mulheres tiraram a vida do menino, então com 9 anos, de forma brutal. Assassinas confessas, elas foram julgadas nesta quarta, no Tribunal do Júri de Samambaia.

Rosana foi sentenciada a 65 anos, 8 meses e 10 dias de reclusão. Kacyla, a 64 anos, 8 meses e 10 dias. Ambas cumprirão a pena em regime fechado.

Segundo o pai de Rhuan, os familiares têm evitado ao máximo falar sobre o homicídio. Maycon diz que o sentimento em relação à condenação da dupla de assassinas é inexato. “Ainda é pouco [a sentença]. Mas, pelo menos, nunca mais vão sair da cadeia”, ressaltou.

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O caso chamou a atenção pela brutalidade. A dupla matou o menino a facadas e depois esquartejou o corpo de Rhuan, perfurou seus olhos e dissecou a pele do rosto. Elas também tentaram incinerar partes do corpo em uma churrasqueira, com o intuito de destruir o cadáver e dificultar o seu reconhecimento. A fumaça produzida pelo corpo carbonizado fez com que vizinhos do casal chamassem a polícia.

O julgamento de Rosa e Kacyla começou às 9h e só terminou perto das 21h. Durante a manhã, as testemunhas do caso foram ouvidas, inclusive policiais que atuaram na prisão das acusadas e na investigação do crime.

O corpo do menino foi enterrado em Rio Branco (AC), em 5 de junho de 2019, sob muita comoção.

O crime

O assassinato de Rhuan ocorreu entre as 21h e as 22h do dia 31 de maio de 2019, em Samambaia. Conforme a polícia, Rosana deu a primeira facada contra o tórax do filho enquanto ele dormia. Kacyla teria segurado a vítima e sua companheira desferiu pelo menos mais dois golpes.

Em questão de minutos, a mãe decapitou a criança, e ambas iniciaram o esquartejamento do corpo. Parte da pele do rosto foi retirada e colocada na churrasqueira, acesa pela namorada de Rosana momentos antes do assassinato. O cheiro forte e o endurecimento da carne teriam demovido as duas do plano de se livrar das provas daquela maneira, e elas se voltaram ao descarte do cadáver mutilado, colocando as partes esquartejadas em duas mochilas escolares e uma mala.

A casa onde tudo aconteceu é grudada à residência principal do lote, mas ninguém teria ouvido qualquer barulho durante toda a barbárie. Isso porque um churrasco com música alta e bebidas acontecia no imóvel vizinho, e os sons encobriram qualquer ruído do homicídio. A fumaça das carnes sendo grelhadas na residência vizinha também apagou os odores da tentativa frustrada da dupla de queimar a pele de Rhuan.

Segundo uma testemunha contou à reportagem, alguns rapazes viram Rosana, com a mala, observando uma boca de lobo aberta na beira da pista. Ela, então, teria jogado a mala no buraco e partido. Os jovens, que observavam de longe a movimentação da mulher, foram ao local assim que ela sumiu de vista. Um deles desceu na abertura e abriu a mala. A cabeça de Rhuan, com uma faca cravejada, rolou para fora – e o jovem saltou em desespero, gritando. Em estado de choque, os rapazes acionaram a polícia, que iniciou a apuração do crime.

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