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Dia da Visibilidade Lésbica: veja a importância da saúde sexual sáfica
A saúde sexual sáfica ainda é um assunto pouco debatido e envolto em tabus, mas deve ser prioridade nas relações
atualizado
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Nesta sexta-feira (29/8), é celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. A data reforça a importância de discutir temas ainda pouco contemplados pela sociedade, entre eles a saúde sexual de mulheres que se relacionam com mulheres. Médicos, serviços de saúde e até materiais educativos, por vezes, se mostram despreparados para oferecer atendimento adequado a pessoas com vulva dentro desse tipo de relação.
A sexóloga e terapeuta sexual Tamara Zanotelli explica que essa falta de preparo está enraizada em uma lógica de heterossexualidade compulsória. “Quando falamos de práticas sexuais entre lésbicas, há uma grande lacuna de informação. Por isso, algumas mulheres podem contrair infecções sexualmente transmissíveis e nem se dar conta”, alerta.

Para ela, a ausência de diretrizes e cuidados específicos evidencia que a saúde sexual sáfica segue como uma pauta urgente, no entanto, é negligenciada.
Dificuldade nos consultórios
Diferentemente do que a cultura pop sugere, “se assumir” não costuma ser um ato único. Pessoas LGBTQIA+ precisam reafirmar sua identidade em diferentes contextos do cotidiano — por vezes, diante de completos estranhos.
Nos serviços de saúde, a heterossexualidade é frequentemente presumida, o que coloca sobre o paciente o peso de corrigir o profissional e se revelar novamente. Essa dinâmica dificulta não apenas o acesso ao sistema de saúde, como também a profissionais preparados para oferecer atendimento adequado.
A ginecologista e sexóloga Maria Carolina Dalboni salienta: há mulheres que ainda acreditam que, por se relacionarem com outras mulheres, não estão expostas a infecções sexualmente transmissíveis. Porém, diversas doenças podem ser transmitidas pelo contato pele a pele, pelo sexo oral ou pelo compartilhamento de brinquedos sexuais.
“Por pensarem que não precisam de anticoncepção ou de outros tipos de cuidado, passam anos sem procurar o ginecologista”, diz. “A conscientização é essencial. Essa mulher precisa buscar atendimento. A vergonha ou a percepção de que o profissional não está preparado acaba afastando pacientes do cuidado preventivo.”
Dalboni ressalta que a invisibilidade é real. “O próprio profissional não está preparado para orientar corretamente a paciente, e isso ainda é reflexo de preconceito.”
Apesar das barreiras, ela reconhece avanços. “A relação entre profissionais e pacientes tem melhorado com o tempo. Garantir acesso a uma saúde qualificada para cada vivência é fundamental para a qualidade de vida e, ainda, para a qualidade da vida sexual.”
Saúde de mulheres sáficas
Ao crescer como mulher lésbica, pansexual ou bissexual, é comum ouvir que certas partes da educação sexual não se aplicam a você. A gravidez na adolescência, por exemplo, parece ser uma preocupação restrita aos amigos heterossexuais. O HPV, muitas vezes, é apresentado apenas como um risco associado ao sexo com penetração vaginal por pênis. Diante de um exame preventivo, a dúvida pode surgir: “Qual é o sentido disso, se eu não corro risco?”. Esses equívocos, porém, não correspondem à realidade.

A ginecologista Marina Almeida reitifica que a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis deve ser uma prioridade, independentemente de qual for o formato da relação.
“O uso de camisinhas femininas em relações diretas, bem como de camisinhas masculinas em artefatos [sex toys], é de extrema importância. Manter as sorologias em dia e cultivar um diálogo aberto entre parceiras são cuidados fundamentais.”
Um exemplo claro é o HPV: mulheres sáficas também estão suscetíveis à infecção, já que o vírus pode ser transmitido pelo sexo oral-vaginal. Isso reforça a necessidade da vacinação contra o HPV para todas as mulheres, seja qual for a orientação sexual.










