
Paulo CappelliColunas

Relator da CPMI do INSS rebate PT: “Não me elegi às custas do Bolsonaro”
Relator da CPMI do INSS afirma que investigação vai atingir envolvidos em fraudes previdenciárias “independentemente de ideologia”
atualizado
Compartilhar notícia

Relator da CPMI que investigará fraudes bilionárias no INSS, o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil) respondeu a críticas feitas pelo deputado Alencar Santana (PT), que havia questionado sua imparcialidade e o classificou como um “relator contaminado”.
“Olha, muitas vezes as pessoas se olham no espelho e acusam os outros. Tenho uma história de combate ao crime e nunca olhei cor partidária. Não me elegi às custas do Bolsonaro, não. A minha pauta é conservadora, tenho buscado cada vez mais naquilo que acredito. Tenho minhas preferências partidárias, é verdade. E as assumo com orgulho, mas elas não são maiores do que o meu senso de justiça e a minha responsabilidade com a minha história. Não precisa o PT ficar preocupado. Onde tiver bandido, o relator vai atrás, vai buscar independentemente de ideologia”, disse o parlamentar em entrevista à coluna nesta segunda-feira (25/8).
O deputado também falou sobre a possibilidade de responsabilizar pessoas ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante a investigação.
“Não temos mais tempo no país para proteger quem quer que seja. Temos que mostrar quem meteu a mão no dinheiro do povo. E cada um que se explique com a sua responsabilidade. Ninguém perguntou a mim se era para roubar ou deixar de roubar. Não tenho compromisso com o erro de absolutamente ninguém.”
Fraude no INSS
O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.
As reportagens levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). No total, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada em 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.