
Paulo CappelliColunas

Líder do governo detalha incômodo de Alcolumbre com escolha de Lula
Líder do governo no Senado, Jaques Wagner diz que presidente do Senado atribuiu a ele influência na escolha que preteriu Rodrigo Pacheco
atualizado
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Líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT) detalhou a reação do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil), à indicação de Jorge Messias ao STF. Segundo o senador, Alcolumbre atribuiu a ele influência na escolha feita pelo presidente Lula, que optou por não indicar Rodrigo Pacheco (PSD) para a vaga.
“É porque ele [Davi Alcolumbre] acha que eu influenciei. Só quem não conhece Lula pode dizer uma coisa dessa. É a cabeça dele”, afirmou Wagner ao relatar a avaliação atribuída ao presidente do Senado.
Segundo Wagner, Alcolumbre entendeu que ele poderia ter atuado de forma mais direta em favor do nome de Pacheco durante o processo de escolha.
“Na verdade, quando o presidente indicou o Jorge Messias, houve uma contrariedade mais do presidente Davi do que do Rodrigo Pacheco [preterido na disputa], entendendo que eu deveria ter trabalhado mais pela indicação do Pacheco”, declarou.
O senador afirmou que não participou da escolha e disse que a decisão foi tomada exclusivamente pelo presidente Lula.
“Mas vou repetir: essa indicação foi exclusiva do presidente da República, não fui chamado nenhuma vez no Palácio do Planalto pra me perguntar quem era melhor ou pior”, disse.
Segundo Wagner, a definição do nome ocorreu por telefone, pouco antes de o presidente embarcar para viagem ao exterior.
“Ele estava embarcando para o exterior e me ligou: escolhi o Jorge Messias”, afirmou.
“Clima favorável” para Messias
Jaques Wagner afirmou ver ambiente favorável à aprovação de Jorge Messias para o STF.
“Eu vejo [clima favorável]. O Messias conversa com todo mundo. Não vejo ele tensionado com nenhum segmento do Senado. Houve aquela contrariedade no começo, que todo mundo apostava no nome do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, mas a escolha é prerrogativa do presidente Lula, ele fez a escolha dele”, afirmou.
Questionado sobre a estimativa do número de votos para a aprovação, Wagner afirmou que não faz contagem prévia em votações desse tipo.
“Voto secreto é convite para traição. Então, vejo muita gente dizer: tem 13, tem 15, tem 20… na minha opinião, ele terá os votos necessários para se eleger, eu sinto esse clima na casa. Ele é um cara tranquilo, de posições equilibradas, ele não é um cara que polariza. O presidente deixou a tensão baixar”, disse.
O parlamentar afirmou ainda que a definição da data para a sabatina depende do comando do Senado. “É uma prerrogativa do presidente Davi Alcolumbre. Cabe a ele decidir quando ele envia”, declarou.





