
Mirelle PinheiroColunas

Quem é o policial penal que criou dossiê contra autoridades do Rio
O investigado foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira (23/10)
atualizado
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O policial penal do Rio de Janeiro (RJ) investigado por supostamente praticar crimes de injúria e calúnia contra autoridades foi identificado como Moyses Henrique Marques (foto em destaque). Nesta quinta-feira (23/10), ele foi alvo de uma operação.
De acordo com as investigações, o agente penitenciário montou e disseminou diversos dossiês com informações falsas, atribuídas a agentes da alta administração da Seap e outras autoridades.
Ele também teria feito acusações falsas de crimes, como quebra indevida de sigilo, infrações em processos licitatórios e corrupção, além de ter formalizado ofensas de cunho pessoal contra as vítimas.
Moyses é ex-subsecretário adjunto de Gestão Operacional da Secretaria de Administração Penitenciária do RJ.
Ele também foi um dos alvos da Operação Hiperfagia, conduzida pelo Gaeco, que desvendou um esquema de fraudes em licitações e superfaturamento de contratos de alimentação no sistema prisional, à época estimado em R$ 350 milhões.
Na mesma operação, o policial penal Márcio Luís dos Anjos da Rocha também foi alvo de mandado de busca e apreensão, recebendo multa de R$ 102 milhões imposta pelo Ministério Público.
Segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do RJ, Moysés responde atualmente a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e a duas sindicâncias internas, sendo a mais recente por tentativa de coação a servidores com o intuito de obter documentos e registros internos para embasar denúncias infundadas contra a atual gestão.
Nesta quinta (23), os policiais civis da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), com o apoio de policiais penais da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), cumpriram mandados de busca e apreensão na casa do alvo, no Rio Comprido, Zona Norte da cidade.
Os investigadores apreenderam celulares e computadores, que serão periciados e devem contribuir no prosseguimento das investigações.
A PCERJ informou que as investigações continuam para identificar se o agente agia sozinho ou se havia um esquema maior por trás, bem como quais as motivações para a disseminação dos dossiês incriminatórios.
A coluna tenta localizar a defesa de Moyses. O espaço segue aberto.
“A SEAP repudia veementemente qualquer tentativa de desestabilização institucional ou manipulação de informações com o objetivo de atender a interesses particulares e escusos, reafirmando seu compromisso com a legalidade, a ética e a transparência na gestão do sistema prisional fluminense”, disse a pasta por meio de nota.
