Mirelle Pinheiro

Da igreja à prisão: pastores são acusados de matar e explorar menores

O inquérito também revelou que os jovens eram alvo de torturas físicas e psicológicas, um método de controle e coerção empregado pelo casal

atualizado

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Enquanto o casal de pastores é julgado pelo Tribunal do Júri no Fórum Gumersindo Bessa, em Aracaju, pelo homicídio de uma mulher ocorrido em 2020, o Ministério Público do Trabalho em Sergipe (MPT-SE) revelou que os dois já haviam sido condenados na esfera trabalhista por exploração de adolescentes e jovens em atividades ligadas à igreja fundada por eles.

De acordo com o MPT, investigações apontaram que os religiosos recrutavam jovens sob a justificativa de “voluntariado”, mas na prática os submetiam a jornadas extenuantes, catando latinhas, vendendo alimentos nas ruas e até realizando serviços domésticos em condições análogas à escravidão. As vítimas, muitas vezes adolescentes, trabalhavam sem remuneração ou recebiam valores irrisórios.

O inquérito também revelou que os jovens eram alvo de torturas físicas e psicológicas, um método de controle e coerção empregado pelo casal.


Condenação na Justiça do Trabalho

A Justiça Trabalhista reconheceu as práticas abusivas e, em decisão da 6ª Vara do Trabalho de Aracaju, condenou o casal ao pagamento de R$ 1 milhão por dano moral coletivo, além de indenizações individuais para duas das vítimas.

O MPT reforçou que casos semelhantes, como exploração do trabalho infantil, trabalho escravo e violações de direitos trabalhistas, podem ser denunciados diretamente ao órgão por meio do site, telefone ou atendimento presencial.

Julgamento criminal em andamento

Paralelamente, os pastores e familiares respondem na esfera criminal pelo assassinato de uma mulher de 35 anos, ocorrido em 3 de julho de 2020, no conjunto Marivan, bairro Santa Maria, em Aracaju. Segundo a denúncia, a vítima foi espancada e morta pelo casal.

O corpo foi transportado até o interior de Alagoas, onde foi queimado e enterrado em um canavial, com participação dos filhos dos acusados, um adolescente e outro que também responde ao processo.

Após o crime, a família fugiu para Riachuelo (SE) e, em seguida, para Birigui (SP). Eles foram presos apenas em fevereiro de 2022, em Araçatuba (SP), em uma operação conjunta entre a Polícia Civil de Sergipe e a polícia paulista.

Agora, no Júri Popular em Aracaju, o casal, o filho e a irmã da vítima respondem por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

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